Cobertura de torneio

Adversários do Brasil na rodada 3 da Olimpíada: como jogam o Quirguistão e a Inglaterra

O dossiê não diz o que o Brasil deveria jogar. Diz onde cada adversário costuma pontuar menos, com o número de partidas ao lado. Na rodada 3, Julia Alboredo foi justamente para a defesa contra a qual Lan Yao mais pontua.

8 min de leitura · Publicado em 2026-09-18 · Atualizado em 2026-09-29

Resposta direta

Na rodada 3 da 46ª Olimpíada de Xadrez, em 18 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta o Quirguistão no absoluto e a Inglaterra no feminino. Esta matéria mostra, a partir das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, o repertório de cada adversário escalado, as linhas em que cada um pontua abaixo da própria média e onde a engine encontra mais erros, sempre com o tamanho da amostra ao lado.

Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE

Como isto foi apurado: Apurado em 18 de setembro de 2026, com a rodada 3 já em andamento: ela começou às 10h15 UTC e a coleta terminou às 13h23 UTC. Emparceiramento conferido no chess-results; escalações, ratings e títulos vêm do PGN oficial transmitido pelo Lichess. O repertório usa as partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID e sem as rodadas 3 em diante desta Olimpíada: 39, 30, 20 e 11 partidas para os quatro quirguizes escalados e 100, 122, 68 e 108 para as quatro inglesas. O perfil de erros foi medido com Stockfish 19, profundidade 16, sobre as 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta. Contas online não entram nesta versão. Placares finais da rodada 3 conferidos no PGN oficial às 15h53 UTC.

O essencial em poucas linhas

  • Na rodada 3 da Olimpíada de Samarcanda, em 18 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta o Quirguistão no absoluto e a Inglaterra no feminino.
  • Resultado da rodada 3: o Quirguistão venceu o Brasil por 2,5 a 1,5 no absoluto, com a vitória de Timur Daudov sobre Diego Di Berardino, e a Inglaterra venceu por 3 a 1 no feminino.
  • No absoluto, o Brasil tem de 197 a 408 pontos de rating a mais em cada tabuleiro; no feminino, a Inglaterra tem mais rating nos quatro, de 73 a 250 pontos.
  • A linha mais fraca da amostra é de Lan Yao, da Inglaterra: com brancas, depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6, ela fez 32% dos pontos em 17 partidas, contra 56% da própria média de brancas.
  • Nikita Khoroshev, tabuleiro 2 do Quirguistão, fez 39% dos pontos com as pretas em 14 partidas clássicas, e jogou de pretas contra Alexandr Fier.
  • Os números são do ponto de vista do adversário e valem como tendência: amostras de 11 a 122 partidas, e perfil de erros sobre 12 partidas por atleta.

O quadro da rodada 3

Quem o Brasil enfrenta na rodada 3 da Olimpíada de Xadrez de 2026?

No absoluto, o Brasil enfrenta o Quirguistão na mesa 26, com Luis Paulo Supi, Alexandr Fier, André Diamant e Diego Di Berardino. No feminino, enfrenta a Inglaterra na mesa 19, com Juliana Terao, Julia Alboredo, Kathie Librelato e Agatha Nunes. Roberto Molina descansa no absoluto.

Os dois confrontos têm perfis opostos. No absoluto, o Brasil tem mais rating em todos os tabuleiros, com vantagens que vão de 197 pontos, no tabuleiro 2, a 408, no 4. No feminino, a Inglaterra tem mais rating nos quatro, de 73 pontos no tabuleiro 2 a 250 no 4, onde Elmira Mirzoeva enfrenta Agatha Nunes.

A coluna de amostra diz quanto do dossiê se sustenta. Timur Daudov tem 11 partidas clássicas transmitidas, todas desde maio de 2026, e o que se diz dele é pouco. As inglesas têm de 68 a 122 partidas cada, a maior parte em torneios britânicos e europeus transmitidos pelo Lichess.

Escalações da rodada 3, 18 de setembro de 2026 (PGN oficial). A amostra é o número de partidas clássicas presenciais do adversário nos últimos três anos.
Seção e tabuleiroBrasilAdversárioAmostra
Absoluto 1GM Luis Paulo Supi (2582), pretasIM Erzhan Zhakshylykov (2352)39
Absoluto 2GM Alexandr Fier (2537), brancasIM Nikita Khoroshev (2340)30
Absoluto 3GM André Diamant (2504), pretasFM Ruslan Sezdbekov (2216)20
Absoluto 4IM Diego Di Berardino (2471), brancasTimur Daudov (2063)11
Feminino 1FM Juliana Terao (2200), brancasFM Bodhana Sivanandan (2354)100
Feminino 2FM Julia Alboredo (2197), pretasWGM Lan Yao (2270)122
Feminino 3WIM Kathie Librelato (2130), brancasIM Jovanka Houska (2297)68
Feminino 4WFM Agatha Nunes (1931), pretasWGM Elmira Mirzoeva (2181)108

Quirguistão: um tabuleiro 2 que sofre de pretas

Como jogam os adversários do Brasil no absoluto da rodada 3?

Erzhan Zhakshylykov abre com 1.d4 ou 1.e4 e perdeu as três partidas que jogou de pretas na Defesa Breyer da Espanhola. Nikita Khoroshev fez 39% dos pontos com as pretas em 14 partidas. Ruslan Sezdbekov fez 80% com as brancas em 10. Timur Daudov tem só 11 partidas na amostra.

Erzhan Zhakshylykov, tabuleiro 1, jogou de brancas contra Supi. Nas 21 partidas de brancas da amostra, abriu com 1.d4 em 10 e com 1.e4 em 8. As respostas em que ele pontuou menos têm três partidas cada, pouco para servir de guia. De pretas o quadro é mais nítido: depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 fez 42% dos pontos em 6 partidas, contra 67% da própria média com as pretas, e perdeu as três em que chegou à Breyer da Espanhola.

Nikita Khoroshev, tabuleiro 2, joga como dois jogadores diferentes conforme a cor. Com as brancas fez 59% dos pontos em 16 partidas; com as pretas, 39% em 14, com 5 vitórias, 1 empate e 8 derrotas. Contra 1.e4 foram 7 partidas e 36%. Na rodada 3 ele jogou de pretas, e Fier abriu com 1.e4.

Ruslan Sezdbekov, tabuleiro 3, fez o oposto: 7 vitórias, 2 empates e 1 derrota nas 10 partidas de brancas. Ele alterna 1.d4 e 1.e4 em partes iguais, e com 1.d4 venceu as cinco. Diamant, de pretas, pegou o 1.e4.

Timur Daudov, tabuleiro 4, tem 11 partidas clássicas, todas desde maio de 2026. Com as brancas abriu sempre com 1.d4. Não publicamos o perfil de erros dele: além da amostra curta, uma das 11 partidas tem erro de transmissão: na rodada 1 desta Olimpíada, o PGN registra 11...Td8 sem a recaptura em d7, e a dama branca só sai do tabuleiro no lance 16.

Eldiyar Orozbaev, que jogou as rodadas 1 e 2, descansa. Com 85 partidas, é o quirguiz com a maior amostra.

Inglaterra: onde a amostra é grande

Como jogam as adversárias do Brasil no feminino da rodada 3?

Lan Yao abriu com 1.e4 em 60 das suas 62 partidas de brancas e fez 34% contra 1...e5 em 19 partidas, mas 77% contra 1...c5 em 20. Jovanka Houska joga a Caro-Kann e fez 41% na linha 2.d4 d5 em 17 partidas. Bodhana Sivanandan fez 25% em 10 partidas na Eslava com 3.Cf3. Elmira Mirzoeva fez 46% em 13 partidas depois de 1.d4 Cf6 2.c4 e6.

Lan Yao, tabuleiro 2, tem a linha fraca mais sólida da amostra. Com as brancas, depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6, fez 32% dos pontos em 17 partidas: 2 vitórias, 7 empates e 8 derrotas, contra 56% da própria média de brancas. O outro lado do mesmo quadro é a Siciliana. Contra 1...c5 foram 20 partidas, 13 vitórias e só 2 derrotas.

Jovanka Houska, tabuleiro 3, defende-se de 1.e4 com a Caro-Kann em 25 partidas. Na linha principal, 2.d4 d5, fez 41% dos pontos em 17, contra 53% da média de pretas. Contra 2.Cc3 a amostra tem só duas partidas, e ela venceu as duas.

Bodhana Sivanandan, tabuleiro 1, abriu com 1.e4 em todas as 54 partidas de brancas. Com as pretas fez 41% em 46 partidas, e o ponto mais baixo é a Eslava com 3.Cf3: 25% em 10 partidas. Contra 1.e4 ela responde 1...e5 quase sempre, em 17 de 21 partidas, mas tem 4 partidas de Caro-Kann na amostra.

Elmira Mirzoeva, tabuleiro 4, é jogadora de 1.d4: 26 das 53 partidas de brancas, mais 17 com 1.Cf3. Depois de 1.d4 Cf6 2.c4 e6, fez 46% em 13 partidas, contra 60% da própria média de brancas. Com 1.e4 são só 6 partidas.

Harriet Hunt, que jogou as rodadas 1 e 2, descansa.

Onde a engine encontra os erros

Em que fase da partida os adversários do Brasil erram mais?

Nas 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, medidas com Stockfish 19 em profundidade 16, a perda média por lance cresce da abertura para o final no caso de Erzhan Zhakshylykov e de Elmira Mirzoeva. Ruslan Sezdbekov erra mais no meio-jogo do que no final.

A tabela mostra a perda média por lance, o ACPL, em cada fase. Na abertura todos ficam entre 4 e 10 centipeões, o que diz mais sobre preparação e teoria do que sobre jogo. A diferença aparece depois.

Com 12 partidas por atleta, o ACPL serve para comparar as fases de um mesmo jogador, e não para ordenar jogadores. Uma diferença de cinco centipeões entre dois nomes da tabela não sustenta conclusão nenhuma. Zhakshylykov passa de 9 na abertura para 25 no final, em 150 lances de final medidos. Mirzoeva chega a 48 no final, em 155 lances. Houska tem 38 no final, mas em só 85 lances.

A contagem de blunders não entra aqui. Quando um jogador já ganho escolhe um mate mais demorado, a régua do blunder registra uma perda enorme por um lance que não muda o resultado. O ACPL limita cada avaliação a mil centipeões e não sofre desse efeito.

ACPL por fase nas 12 partidas clássicas mais recentes (Stockfish 19, profundidade 16). Timur Daudov fica de fora pela amostra e por um erro de transmissão.
AtletaAberturaMeio-jogoFinalGeral
Erzhan Zhakshylykov9172518
Nikita Khoroshev8252221
Ruslan Sezdbekov9211216
Bodhana Sivanandan4222119
Lan Yao6252021
Jovanka Houska6353830
Elmira Mirzoeva10374835

O que a rodada 3 mostrou

As brasileiras entraram nas linhas fracas das adversárias na rodada 3?

Nos dois tabuleiros em que a escolha era das brasileiras, não. Julia Alboredo respondeu 1.e4 de Lan Yao com 1...c5, a defesa contra a qual Yao fez 77% em 20 partidas, e não com 1...e5. Kathie Librelato enfrentou a Caro-Kann de Jovanka Houska com 2.Cc3, e não com 2.d4. Elmira Mirzoeva saiu de 1.e4, lance que usou em 6 das suas 53 partidas de brancas.

A rodada terminou com duas derrotas brasileiras. No absoluto, o Quirguistão venceu por 2,5 a 1,5: Luis Paulo Supi, Alexandr Fier e André Diamant empataram, e Timur Daudov, dono da menor amostra do dossiê e com 408 pontos de rating a menos, venceu Diego Di Berardino no tabuleiro 4. No feminino, a Inglaterra venceu por 3 a 1. Kathie Librelato ganhou de Jovanka Houska na Caro-Kann com 2.Cc3; Juliana Terao, Julia Alboredo e Agatha Nunes perderam, Alboredo na Siciliana, a defesa contra a qual Lan Yao tinha 77% em 20 partidas.

A primeira versão desta matéria saiu com a rodada em andamento, quando as aberturas já se conheciam. No feminino, nenhuma brasileira foi para a linha em que a adversária pontua menos, e isso não é necessariamente um erro. O dossiê mede onde o adversário pontua menos, não o que a brasileira joga bem. Levar a partida para a linha fraca do outro lado só compensa quando ela também é boa para quem a escolhe, e isso uma estatística do adversário não mostra.

No absoluto, Zhakshylykov abriu com 1.d4 e Supi respondeu com a Índia do Rei. Fier escolheu a Anti-Berlim contra Khoroshev, com 1.e4, a linha contra a qual Khoroshev fez 36% em 7 partidas. Diamant enfrentou 1.e4 de Sezdbekov com a Siciliana, e Di Berardino jogou o Gambito da Dama contra Daudov, que aceitou.

Perguntas frequentes

De onde vêm os dados do dossiê dos adversários do Brasil?

Das partidas clássicas presenciais transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID. Sobre elas rodam o repertório por cor, as linhas em que o adversário pontua abaixo da própria média e, nas 12 partidas mais recentes, o perfil de erros medido com Stockfish 19 em profundidade 16.

Os percentuais do dossiê são do Brasil ou do adversário?

Do adversário. Quando o texto diz que Lan Yao fez 32% em 17 partidas numa linha, são os pontos dela nessas partidas. Percentual baixo é bom para quem a enfrenta.

Por que o dossiê não inclui partidas de blitz e rápidas online?

Porque só entram contas online com comprovação de que pertencem ao atleta, e essa comprovação não ficou pronta a tempo desta versão. O repertório online, quando entrar, vai numa seção própria e separada das partidas clássicas.

Quanto vale uma linha fraca de 6 partidas?

Pouco. Por isso o texto sempre dá o número de partidas ao lado do percentual. Uma linha com 17 partidas, como a de Lan Yao depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6, sustenta mais do que uma com 3 ou 6.

Histórico de atualizações

  • 2026-09-18 — Publicação inicial, com a rodada 3 em andamento: repertório das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess e perfil de erros com Stockfish 19 em profundidade 16, sem contas online.
  • 2026-09-18 — Republicação com os placares finais da rodada 3 e o dossiê interativo de cada adversário escalado, com a partida da rodada comparada ao repertório conhecido.
  • 2026-09-29 — A Olimpíada terminou em 27 de setembro: o Uzbequistão ganhou o aberto e a China o feminino. Esta cobertura deixou de ser atualizada; o resultado final está na notícia de classificação.

Fontes

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