Cobertura de torneio

Adversários do Brasil na rodada 4 da Olimpíada: como jogam o Iraque e a Albânia

André Diamant abriu com 1.c4 contra Ali Alothman, um lance que não aparece uma vez sequer nas 29 partidas de pretas do iraquiano na amostra. Serve também assim, o dossiê: dizendo o que o adversário nunca precisou enfrentar.

12 min de leitura · Publicado em 2026-09-19 · Atualizado em 2026-09-29

Resposta direta

Na rodada 4 da 46ª Olimpíada de Xadrez, em 19 de setembro de 2026, o Brasil enfrentou o Iraque no absoluto e a Albânia no feminino, e venceu os dois confrontos: 2,5 a 1,5 e 4 a 0. Esta matéria mostra, a partir das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, o repertório de cada adversário escalado, as linhas em que cada um pontua abaixo da própria média e onde a engine encontra mais erros, sempre com o tamanho da amostra ao lado.

Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE

Como isto foi apurado: Apurado em 19 de setembro de 2026, com a rodada 4 já encerrada: ela começou às 10h15 UTC. A coleta das partidas clássicas terminou às 14h07 UTC e o perfil de erros foi medido a partir das 21h50 UTC. Emparceiramento conferido no chess-results; escalações, ratings e títulos vêm do PGN oficial transmitido pelo Lichess. O repertório usa as partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID e sem as partidas da própria rodada 4: 3, 54, 54 e 23 partidas para os quatro escalados iraquianos e 76, 49, 12 e 38 para as quatro albanesas. O perfil de erros foi medido com Stockfish 19, profundidade 16, sobre as 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta. Contas online não entram nesta versão. Chiya mder hamad, com 3 partidas na amostra, fica de fora das linhas fracas e do perfil de erros. Placares finais da rodada 4 conferidos no PGN oficial às 22h35 UTC.

O essencial em poucas linhas

  • Na rodada 4 da Olimpíada de Samarcanda, em 19 de setembro de 2026, o Brasil venceu o Iraque por 2,5 a 1,5 no absoluto e a Albânia por 4 a 0 no feminino.
  • O Iraque tirou três empates com 271 a 296 pontos de rating a menos em cada um dos três tabuleiros de baixo, e perdeu só no 1, onde a diferença era de 599.
  • A única linha fraca com amostra utilizável do lado iraquiano é a Índia do Rei de Zozek Salah Mohammed: 38% em 4 partidas, contra 63% da própria média de brancas. Alexandr Fier respondeu 1.d4 com 1...d5 e empatou.
  • Contra Fier, Zozek foi para o Gambito da Dama, linha que aparece em 2 das suas 10 partidas depois de 1.d4 d5 — nas outras 8 ele jogou 2.Cf3.
  • No feminino, Eklea Omeri fez 27% dos pontos em 11 partidas de pretas contra 1.e4, e Kathie Librelato venceu justamente com 1.e4.
  • Os números são do ponto de vista do adversário e valem como tendência: amostras de 3 a 76 partidas, e perfil de erros sobre 12 partidas por atleta.

O quadro da rodada 4

Quem o Brasil enfrentou na rodada 4 da Olimpíada de Xadrez de 2026?

No absoluto, o Iraque na mesa 41, com Luis Paulo Supi, Alexandr Fier, André Diamant e Roberto Molina. No feminino, a Albânia na mesa 37, com Clara Dias, Juliana Terao, Julia Alboredo e Kathie Librelato. Diego Di Berardino descansou no absoluto, e Agatha Nunes no feminino.

O Brasil tinha mais rating nos oito tabuleiros, e em sete deles por margem larga: de 271 a 599 pontos no absoluto, de 98 a 317 nos três primeiros do feminino. A única diferença pequena estava no tabuleiro 1 feminino, onde Clara Dias, escalada pela primeira vez nesta Olimpíada, tinha 15 pontos a mais que Klean Shuqja.

A coluna de amostra diz quanto do dossiê se sustenta. Chiya mder hamad, do tabuleiro 1 iraquiano, tem 3 partidas clássicas transmitidas, todas de setembro de 2026: sobre ele o dossiê não diz nada além disso. Os outros três iraquianos escalados têm de 23 a 54, e as quatro albanesas de 12 a 76.

Vale registrar quem ficou de fora. O Iraque poupou Ali Ehsan Aryan, dono da maior amostra do time, com 37 partidas. A Albânia manteve três jogadoras das rodadas anteriores e trocou Ailin Ndreko por Eklea Omeri, que até aqui só havia jogado a rodada 3.

Escalações da rodada 4, 19 de setembro de 2026 (PGN oficial). A amostra é o número de partidas clássicas presenciais do adversário nos últimos três anos.
Seção e tabuleiroBrasilAdversárioAmostraResultado
Absoluto 1GM Luis Paulo Supi (2582), brancasChiya mder hamad (1983)31-0
Absoluto 2GM Alexandr Fier (2537), pretasFM Zozek Salah Mohammed (2241)54½-½
Absoluto 3GM André Diamant (2504), brancasFM Ali Layth Ahmed Alothman (2214)54½-½
Absoluto 4IM Roberto Molina (2390), pretasFM Dhahir Habeeb Muazaz (2119)23½-½
Feminino 1Clara Dias (2022), pretasWFM Klean Shuqja (2007)760-1
Feminino 2FM Juliana Terao (2200), brancasWFM Kler Caku (2102)491-0
Feminino 3FM Julia Alboredo (2197), pretasWFM Eglantina Shabanaj (1902)120-1
Feminino 4WIM Kathie Librelato (2130), brancasWCM Eklea Omeri (1813)381-0

Iraque: três empates e uma só linha fraca utilizável

Como jogam os adversários do Brasil no absoluto da rodada 4?

Zozek Salah Mohammed abre com 1.d4 em 25 das suas 27 partidas de brancas e fez 38% em 4 partidas contra a Índia do Rei, contra 63% da própria média. Ali Layth Ahmed Alothman fez 78% com as brancas em 25 partidas e só 52% com as pretas em 29. Dhahir Habeeb Muazaz abriu com 1.Cf3 nas 12 partidas de brancas da amostra. Chiya mder hamad tem 3 partidas.

Zozek Salah Mohammed, tabuleiro 2, é o adversário mais previsível do time no primeiro lance e o menos previsível no segundo. Abriu com 1.d4 em 25 das 27 partidas de brancas, mas o que vem depois depende do que recebe: contra 1...d5 jogou 2.Cf3 em 8 das 10 partidas e 2.c4 em apenas 2. A linha em que pontua abaixo da média é a Índia do Rei, 1.d4 Cf6 2.c4 g6: 38% em 4 partidas, contra 63% da própria média de brancas. São quatro partidas, e o dossiê marca a confiança como baixa.

Ali Layth Ahmed Alothman, tabuleiro 3, joga como dois jogadores conforme a cor. Com as brancas fez 78% em 25 partidas, com 17 vitórias, 5 empates e 3 derrotas, e abriu com 1.Cf3 em 22 delas. Com as pretas caiu para 52% em 29. É contra 1.e4 que ele mais aparece — 14 partidas, 57% —, e as linhas em que sofre são de Caro-Kann: 17% em 3 partidas depois de 1.e4 c6 2.d4 d5 3.Cc3 e 25% em 4 na variante do avanço. Todas com três ou quatro partidas.

Dhahir Habeeb Muazaz, tabuleiro 4, tem o repertório mais estreito da amostra: 1.Cf3 nas 12 partidas de brancas, com 5 vitórias, 6 empates e uma derrota. De pretas fez 64% em 11. São 23 partidas ao todo, todas desde dezembro de 2025 — amostra curta, mas acima do limite de baixa confiança.

Chiya mder hamad, tabuleiro 1, tem 3 partidas clássicas transmitidas, todas deste setembro. Não publicamos linhas fracas, plano de jogo nem perfil de erros dele: com três partidas, qualquer percentual é ruído. Ali Ehsan Aryan, que jogou as três primeiras rodadas e descansou nesta, é quem tem a maior amostra do time, com 37 partidas, e pontua 69% de brancas contra 55% de pretas.

Albânia: onde o dossiê e o placar coincidiram

Como jogam as adversárias do Brasil no feminino da rodada 4?

Klean Shuqja abriu com 1.e4 nas 39 partidas de brancas da amostra e, contra a Siciliana, seguiu com 2.Cf3 nas 16. Kler Caku fez 25% em 6 partidas na Siciliana com 2...e6 de brancas. Eklea Omeri fez 27% em 11 partidas de pretas contra 1.e4 e 31% no total com as pretas. Eglantina Shabanaj tem 12 partidas, 4 delas de brancas.

Klean Shuqja, tabuleiro 1 e maior amostra do time com 76 partidas, é 1.e4 sem exceção: as 39 partidas de brancas da amostra começam assim, e as 16 sicilianas seguiram todas com 2.Cf3. Com as pretas fica em 43%, e contra 1.e4 desce a 31% em 16 partidas — o ponto mais baixo do dossiê albanês com amostra respeitável.

Kler Caku, tabuleiro 2, tem o quadro invertido: 53% de brancas em 29 partidas e 58% de pretas em 20. Contra 1.e4 ela responde 1...e5 nas 12 partidas da amostra e chega à Espanhola em 8, sempre pela mesma porta — 3...a6 4.Ba4 Cf6. De brancas, a linha em que pontua menos é a Siciliana com 2...e6: 25% em 6 partidas, contra 53% da própria média.

Eklea Omeri, tabuleiro 4, é a adversária que o dossiê descreve com mais nitidez. Com as pretas fez 31% em 21 partidas, e contra 1.e4 são 27% em 11, com 3 vitórias, nenhum empate e 8 derrotas. Contra 1.d4, a resposta 1...Cf6 lhe rendeu 8% em 6 partidas. De brancas ela sobe para 44% em 17.

Eglantina Shabanaj, tabuleiro 3, tem 12 partidas na amostra e só 4 com as brancas. É pouco para linha fraca, e o dossiê não publica nenhuma. O que ele registra é o primeiro lance: nas 8 partidas de pretas, enfrentou 1.d4 em 6, com 42%.

Onde a engine encontra os erros

Em que fase da partida os adversários do Brasil erram mais?

Nas 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, medidas com Stockfish 19 em profundidade 16, Ali Layth Ahmed Alothman perde três vezes mais por lance no meio-jogo do que no final — 54 contra 17 centipeões. Eklea Omeri tem o maior número da tabela, 63 no meio-jogo. Dhahir Habeeb Muazaz é o mais regular das duas seções.

A tabela mostra a perda média por lance, o ACPL, em cada fase. Na abertura todos ficam entre 6 e 12 centipeões, o que diz mais sobre preparação e teoria do que sobre jogo. A diferença aparece depois.

Com 12 partidas por atleta, o ACPL serve para comparar as fases de um mesmo jogador, e não para ordenar jogadores. Uma diferença de cinco centipeões entre dois nomes da tabela não sustenta conclusão nenhuma. O caso de Alothman sustenta: 54 centipeões por lance no meio-jogo, em 243 lances medidos, contra 17 no final, em 167. É o inverso do padrão mais comum, em que o erro cresce com o cansaço e com o relógio.

Do lado albanês, Eklea Omeri tem os dois piores números da tabela, 63 no meio-jogo e 40 no final, e foi justamente ela quem perdeu para Kathie Librelato. Klean Shuqja tem o desenho oposto ao de Alothman: 27 no meio-jogo e 36 no final, em 151 lances de final medidos.

Chiya mder hamad fica de fora da tabela. O perfil de erros dele existe, mas foi medido sobre as três partidas que ele tem na amostra, e três partidas não descrevem ninguém. A contagem de blunders também não entra aqui: quando um jogador já ganho escolhe um mate mais demorado, a régua do blunder registra uma perda enorme por um lance que não muda o resultado. O ACPL limita cada avaliação a mil centipeões e não sofre desse efeito.

ACPL por fase nas 12 partidas clássicas mais recentes (Stockfish 19, profundidade 16). Chiya mder hamad fica de fora: só tem três partidas na amostra.
AtletaAberturaMeio-jogoFinalGeral
Zozek Salah Mohammed8282724
Ali Layth Ahmed Alothman6541732
Dhahir Habeeb Muazaz12232020
Klean Shuqja6273626
Kler Caku6372228
Eglantina Shabanaj12322727
Eklea Omeri12634049

O que a rodada 4 mostrou

Os brasileiros entraram nas linhas fracas dos adversários na rodada 4?

Em nenhum dos tabuleiros em que a escolha era deles. Alexandr Fier respondeu 1.d4 com 1...d5, e não com a Índia do Rei, única linha fraca com amostra do dossiê iraquiano. André Diamant abriu com 1.c4, lance que nenhum adversário jogou contra Alothman nas 29 partidas de pretas da amostra. Kathie Librelato abriu 1.e4 contra Eklea Omeri, que fez 27% em 11 partidas nessa situação, e venceu.

O placar do absoluto foi 2,5 a 1,5 para o Brasil, com três empates e a vitória de Supi no tabuleiro 1. Os três empates vieram dos tabuleiros em que o Iraque tinha entre 271 e 296 pontos de rating a menos, e nenhum deles passou por linha fraca conhecida. Contra Fier, Zozek escolheu o Gambito da Dama — 2.c4 em vez do 2.Cf3 que jogou em 8 das 10 partidas com 1.d4 d5 na amostra — e a partida terminou empatada depois de 1.d4 d5 2.c4 e6 3.Cc3 Cf6 4.Cf3 dxc4.

O caso de Diamant é o mais claro. Ele abriu com 1.c4 contra Alothman, que nas 29 partidas de pretas da amostra enfrentou 1.e4 em 14, 1.d4 em 10 e 1.Cf3 em 4 — 1.c4, nenhuma. O dossiê não tinha nada a dizer sobre a posição depois do quarto lance, e a partida ficou em 0 a 0 no marcador das linhas fracas e no placar da mesa: empate.

No feminino, o 4 a 0 saiu com três das quatro brasileiras jogando contra a estatística e vencendo assim mesmo. Klean Shuqja, que nas 16 sicilianas da amostra havia jogado 2.Cf3 em todas, escolheu 2.c3 contra Clara Dias e perdeu. Kler Caku, que na Espanhola chegava sempre a 4.Ba4 Cf6, foi para a variante Norueguesa com 4...b5 5.Bb3 Ca5 e perdeu para Juliana Terao. Julia Alboredo enfrentou o sistema Colle de Eglantina Shabanaj, cuja amostra de brancas tem 4 partidas, e venceu.

A exceção é Librelato. Ela abriu com 1.e4 contra Eklea Omeri, exatamente a situação em que Omeri fez 27% em 11 partidas, recebeu a Caro-Kann e respondeu 2.Cc3 — o mesmo segundo lance com que havia vencido Jovanka Houska na rodada 3. É o único tabuleiro da rodada em que a escolha brasileira e o dossiê apontaram para o mesmo lado, e o resultado veio. Uma coincidência em oito tabuleiros não prova método; o dossiê diz onde o adversário pontua menos, não o que a brasileira joga bem, e as duas coisas só se encontram quando a linha serve às duas.

Perguntas frequentes

De onde vêm os dados do dossiê dos adversários do Brasil?

Das partidas clássicas presenciais transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID. Sobre elas rodam o repertório por cor, as linhas em que o adversário pontua abaixo da própria média e, nas 12 partidas mais recentes, o perfil de erros medido com Stockfish 19 em profundidade 16.

Os percentuais do dossiê são do Brasil ou do adversário?

Do adversário. Quando o texto diz que Eklea Omeri fez 27% em 11 partidas contra 1.e4, são os pontos dela nessas partidas. Percentual baixo é bom para quem a enfrenta.

O que acontece quando o adversário quase não tem partidas transmitidas?

O dossiê diz isso e para por aí. Chiya mder hamad, do tabuleiro 1 do Iraque, tem 3 partidas clássicas na amostra, todas de setembro de 2026: não publicamos linhas fracas, plano de jogo nem perfil de erros dele. Amostra abaixo de 10 partidas é marcada como de baixa confiança pelo próprio dossiê.

Por que o dossiê não inclui partidas de blitz e rápidas online?

Porque só entram contas online com comprovação de que pertencem ao atleta — conta titulada da plataforma, perfil que aponta para o cadastro FIDE ou citação oficial da federação. Nenhum dos oito adversários escalados nesta rodada tinha conta comprovada a tempo. Quando entrar, o repertório online vai numa seção própria, identificada como blitz e rápidas.

Histórico de atualizações

  • 2026-09-19 — Publicação inicial, com a rodada 4 encerrada: repertório das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess, perfil de erros com Stockfish 19 em profundidade 16 e placares finais conferidos no PGN oficial.
  • 2026-09-29 — A Olimpíada terminou em 27 de setembro: o Uzbequistão ganhou o aberto e a China o feminino. Esta cobertura deixou de ser atualizada; o resultado final está na notícia de classificação.

Fontes

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