Cobertura de torneio

Adversários do Brasil na rodada 5 da Olimpíada: como jogam a Irlanda e a Hungria

Kata Karácsonyi abriu com 1.e4 nas 56 partidas de brancas da amostra — todas, sem exceção. Quem abre sempre o mesmo lance não esconde nada, e é justamente por isso que se sabe onde ela cai: contra a Francesa, de 57% para 29%.

19 min de leitura · Publicado em 2026-09-19 · Atualizado em 2026-09-29

Resposta direta

Na rodada 5 da 46ª Olimpíada de Xadrez, em 20 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta a Irlanda no absoluto, na mesa 31, e a Hungria no feminino, na mesa 12. Esta matéria mostra, a partir das 699 partidas clássicas transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, o repertório de cada atleta dos dois elencos, as linhas em que cada um pontua abaixo da própria média, onde a engine encontra mais erros e — pela primeira vez nesta série — o que as contas online comprovadas mostram de blitz e rápidas, sempre com o tamanho da amostra ao lado.

Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE

Como isto foi apurado: Apurado em 19 de setembro de 2026, com a rodada 4 encerrada e a rodada 5 ainda por jogar: ela começa em 20 de setembro, às 15h de Samarcanda (10h UTC). O emparceiramento foi conferido no chess-results; o PGN oficial com a escalação de cada equipe só sai na hora da rodada, e por isso este dossiê cobre o elenco inteiro dos dois adversários, e não os quatro tabuleiros. O repertório usa as partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID e sem as partidas da própria rodada 5: 300 partidas nos cinco irlandeses (13 a 135 por atleta) e 399 nas cinco húngaras (40 a 126). Partidas de xadrez aleatório ficaram de fora da amostra clássica a partir desta rodada. O perfil de erros foi medido com Stockfish 19, profundidade 16, sobre as 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, e os lances citados no texto foram remedidos em profundidade 24, com busca dedicada. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas uma a uma, dos últimos 90 dias, e está numa seção própria.

O essencial em poucas linhas

  • Na rodada 5, em 20 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta a Irlanda no absoluto (mesa 31) e a Hungria no feminino (mesa 12). A escalação de cada equipe só sai no PGN oficial na hora da rodada, então este dossiê cobre os dez atletas dos dois elencos.
  • Kata Karácsonyi, da Hungria, abriu com 1.e4 nas 56 partidas de brancas da amostra — 100% delas. Contra 1...e6 ela cai de 57,1% para 28,6% em 7 partidas.
  • Adam Collins é o irlandês com a aresta mais confiável do dossiê: de pretas contra 1.d4 faz 46,2% em 13 partidas, contra 55,7% da própria média de pretas, e é a única linha do confronto com confiança alta.
  • Tom O'Gorman joga online um repertório que não tem no tabuleiro: presencialmente divide as brancas entre 1.e4 e 1.d4, e nas 77 partidas de brancas dos últimos 90 dias no Chess.com abre 1.Cf3 em 30 e 1.b3 em 14 — com 28,6% neste último.
  • O final mais caro do confronto é o de Nomin-Erdene Davaademberel, 41 centipeões por lance, e ele vem de uma única partida: em 158 lances contra Hatice Asli Mustu, na liga turca, ela deixou escapar vantagem de 7,4, de 8,8 e de 6,3 peões — e ganhou. Petra Papp tem o maior número de meio-jogo das duas seções, 46 contra 5 na abertura.
  • Os números são do ponto de vista do adversário e valem como tendência: amostras de 13 a 135 partidas, perfil de erros sobre 12 partidas por atleta, e cada percentual vem com o número de partidas atrás dele.

O quadro da rodada 5

Quem o Brasil enfrenta na rodada 5 da Olimpíada de Xadrez de 2026?

No absoluto, a Irlanda, na mesa 31. No feminino, a Hungria, na mesa 12. A rodada começa em 20 de setembro de 2026, às 15h de Samarcanda. A escalação de cada equipe só aparece no PGN oficial na hora da rodada, então o dossiê cobre os cinco atletas de cada elenco adversário: Tarun Kanyamarala, Tom O'Gorman, Alexander Baburin, Adam Collins e Kavin Venkatesan pela Irlanda; Zsóka Gaál, Nomin-Erdene Davaademberel, Szidónia Lázárné Vajda, Petra Papp e Kata Karácsonyi pela Hungria.

O Brasil chega à quinta rodada depois de vencer o Iraque por 2,5 a 1,5 e a Albânia por 4 a 0. As duas mesas de agora têm o mesmo desenho e sinais trocados. No absoluto, Brasil e Irlanda somam 5 pontos de match cada, mas a Irlanda leva vantagem no critério seguinte, o de pontos de partida: 10 contra 8,5. No feminino é o Brasil quem está à frente nesse critério, 12 contra 10, com 6 pontos de match para os dois lados.

Em rating, os dois confrontos também se invertem. O Brasil é o cabeça de chave 31 do absoluto e enfrenta o 66; no feminino é o 44 e enfrenta o 18. Dito de outro modo: no absoluto o Brasil é o favorito pelo ranking e está atrás na tabela, e no feminino é o contrário. A Olimpíada tem onze rodadas, e é por isso que o sistema suíço junta quem está empatado, não quem se parece.

A coluna de amostra da tabela abaixo diz quanto de cada dossiê se sustenta. Alexander Baburin, o único GM irlandês do elenco, tem 13 partidas clássicas transmitidas em três anos — a menor amostra do confronto, e por pouco acima do limite de 10 em que o dossiê passa a marcar baixa confiança. Na outra ponta, Tarun Kanyamarala tem 135 e Kata Karácsonyi, 126. São 699 partidas no total, e elas não se distribuem por igual: é normal que o dossiê descreva bem quem joga muito e diga pouco sobre quem joga pouco.

Nesta rodada há uma novidade, e ela vem de fora do tabuleiro presencial. Oito dos dez adversários têm conta do Chess.com comprovada — título verificado pela plataforma, nome real e país batendo com o cadastro FIDE —, e seis delas têm partidas nos últimos 90 dias. É a primeira vez nesta série que o repertório de blitz e rápidas entra, e ele vai numa seção própria, porque responde a outra pergunta.

Elencos adversários da rodada 5, com o rating do PGN oficial da rodada 4. A amostra é o número de partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess. Nenhum dos dois times havia divulgado a escalação até o fechamento.
SeçãoAtletaRatingAmostraBrancasPretas
Absoluto (Irlanda)IM Tarun Kanyamarala241713568,8% em 6967,4% em 66
Absoluto (Irlanda)IM Tom O'Gorman23805570,7% em 2955,8% em 26
Absoluto (Irlanda)GM Alexander Baburin23441368,8% em 850,0% em 5
Absoluto (Irlanda)FM Adam Collins23407064,3% em 3555,7% em 35
Absoluto (Irlanda)FM Kavin Venkatesan23042753,3% em 1545,8% em 12
Feminino (Hungria)IM Zsóka Gaál23579458,9% em 4551,0% em 49
Feminino (Hungria)IM Nomin-Erdene Davaademberel23159966,7% em 4553,7% em 54
Feminino (Hungria)IM Szidónia Lázárné Vajda22894068,8% em 2462,5% em 16
Feminino (Hungria)WGM Petra Papp22834058,8% em 1750,0% em 23
Feminino (Hungria)WIM Kata Karácsonyi213712657,1% em 5644,3% em 70

Irlanda: a aresta mais confiável está no tabuleiro de baixo

Como jogam os adversários do Brasil no absoluto da rodada 5?

Adam Collins, quarto rating do elenco, tem a única linha do confronto com confiança alta: de pretas contra 1.d4 faz 46,2% em 13 partidas, contra 55,7% da própria média de pretas. Tarun Kanyamarala, o primeiro rating, sofre com a Francesa quando tem as brancas — 16,7% em 3 partidas. Tom O'Gorman cai para 25% em 4 partidas contra 1.c4. Alexander Baburin abriu 1.d4 nas 8 partidas de brancas que tem na amostra.

Tarun Kanyamarala é o adversário mais forte do elenco e o mais parelho consigo mesmo: 68,8% com as brancas em 69 partidas e 67,4% com as pretas em 66, uma simetria rara. Contra ele não há primeiro lance que abra vantagem — de pretas ele responde bem a tudo o que apareceu na amostra. O que existe é do outro lado do tabuleiro: quando ele tem as brancas e recebe a Francesa, 1.e4 e6 2.d4 d5, faz 16,7% em 3 partidas, contra 68,8% da própria média de brancas. São três partidas, e o dossiê marca a confiança como baixa. A Índia do Rei, 1.d4 Cf6 2.c4 g6, rende a ele 41,7% em 6 — mesma direção, amostra um pouco melhor.

Adam Collins é o caso oposto, e o mais útil. A diferença dele entre as cores é larga, 64,3% de brancas contra 55,7% de pretas, e o buraco aparece exatamente onde a amostra permite afirmar: contra 1.d4 ele faz 46,2% em 13 partidas. É a única linha dos dois confrontos que o dossiê classifica com confiança alta, e ela se estreita ainda mais no Gambito da Dama Recusado — 1.d4 d5 2.c4 e6 lhe rende 37,5% em 8 partidas. De brancas, o sistema dele é o Ataque Índio do Rei, que aparece em três das quatro aberturas mais jogadas.

Tom O'Gorman divide as brancas em duas metades quase exatas: 1.d4 em 13 partidas e 1.e4 em 13, das 29 que tem. A diferença é o que acontece depois. Com 1.e4 ele faz 84,6% — 11 vitórias, nenhum empate, 2 derrotas —, e com 1.d4, 53,8%. Contra ele, o dossiê aponta 1.c4, que lhe rendeu 25% em 4 partidas, contra 55,8% da própria média de pretas; são quatro partidas, e isso é um indício, não um plano. A Índia do Rei também o incomoda de brancas: 25% em 4.

Alexander Baburin e Kavin Venkatesan são os dois de quem o dossiê fala menos, por motivos diferentes. Baburin tem 13 partidas em três anos, oito delas de brancas, e nas oito abriu 1.d4 — cem por cento, embora oito partidas não autorizem a palavra 'sempre'. Venkatesan tem 27 e a média mais baixa do elenco nas duas cores, 53,3% e 45,8%; contra ele o dossiê aponta 1.e4, que lhe rendeu 33,3% em 6 partidas, com confiança média. De brancas, Venkatesan abriu 1.d4 em 13 das 15.

Hungria: 1.e4 em cinquenta e seis partidas seguidas

Como jogam as adversárias do Brasil no feminino da rodada 5?

Kata Karácsonyi abriu com 1.e4 nas 56 partidas de brancas da amostra, todas, e contra 1...e6 cai de 57,1% para 28,6% em 7 partidas. Nomin-Erdene Davaademberel tem as duas linhas fracas de brancas na mesma família, o par de cavalos depois de 1.e4, e 10% em 5 partidas de pretas contra a Caro-Kann. Zsóka Gaál é a mais regular do elenco. Petra Papp faz 16,7% em 3 partidas contra 1.c4.

Kata Karácsonyi tem o menor rating do elenco húngaro e a segunda maior amostra do confronto, 126 partidas, e é por isso que o dossiê a descreve com mais nitidez do que a qualquer outra. De brancas ela abriu 1.e4 nas 56 partidas da amostra — não 54, não 'quase todas': 56 de 56. Um repertório assim não guarda surpresa no primeiro lance, e o preço disso é que se sabe onde ele dói. Contra 1...e6 ela faz 28,6% em 7 partidas, e a linha inteira da Francesa, 1.e4 e6 2.d4 d5, lhe rende 33,3% em 6, contra 57,1% da própria média de brancas. Com as pretas ela é mais frágil, 44,3% em 70 partidas, e contra 1.Cf3 desce a 25% em 10.

Nomin-Erdene Davaademberel tem a amostra mais equilibrada do time, 99 partidas, e uma assimetria grande entre as cores: 66,7% de brancas e 53,7% de pretas. As duas linhas em que pontua abaixo da própria média com as brancas nascem do mesmo lance — depois de 1.e4, o desenvolvimento simétrico dos cavalos. Contra a Siciliana com 2...Cc6 faz 41,7% em 6 partidas, e contra 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6, 50% em 8. De pretas, a Caro-Kann lhe rendeu 10% em 5 partidas, o número mais baixo dos dois elencos; são cinco partidas, e o dossiê marca confiança baixa.

Zsóka Gaál é o primeiro rating do elenco e a atleta de quem o dossiê tem menos a dizer, o que em preparação é uma informação e não uma lacuna. Com 94 partidas na amostra, ela não tem nenhuma linha fraca registrada nas duas cores, e contra ela nenhum primeiro lance abre vantagem: de pretas faz 51,0% em 49 partidas, e o melhor que o dossiê encontra é 1.e4, com 52,0% em 25 — acima da própria média dela, ou seja, aresta nenhuma. De brancas ela abre 1.d4 em 29 das 45.

Szidónia Lázárné Vajda e Petra Papp têm 40 partidas cada, a amostra mediana do elenco. Vajda é a mais bem pontuada do time com as pretas, 62,5% em 16 partidas, e de brancas abre 1.d4 em 15 das 24, com 76,7%. Papp é o inverso: 50,0% de pretas em 23 partidas, e contra 1.c4 faz 16,7% em 3 — o menor número do confronto, com a menor amostra do confronto, e as duas coisas devem ser lidas juntas. De pretas contra 1.d4, a Índia do Rei lhe rende 30% em 5.

Onde a engine encontra os erros

Em que fase da partida os adversários do Brasil erram mais?

Nas 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, medidas com Stockfish 19 em profundidade 16, Petra Papp tem o maior ACPL de meio-jogo das duas seções: 46 centipeões por lance em 306 lances, contra 5 na abertura. Nomin-Erdene Davaademberel tem o final mais caro, 41 — e a remedição em profundidade 24 mostra de onde ele vem: de uma partida de 158 lances em que ela dissipou vantagem decisiva três vezes e ganhou assim mesmo. Adam Collins e Zsóka Gaál são os mais regulares, com 17 no geral.

A tabela traz a perda média por lance, o ACPL, em cada fase da partida. Na abertura os dez ficam entre 5 e 9 centipeões, o que diz mais sobre teoria decorada do que sobre jogo — é a fase em que todo mundo ainda está dentro do que estudou. A diferença aparece quando a preparação acaba.

Com 12 partidas por atleta, o ACPL serve para comparar as fases de um mesmo jogador, e não para ordenar jogadores entre si. Uma diferença de cinco centipeões entre dois nomes da tabela não sustenta conclusão nenhuma; a distância entre a abertura e o meio-jogo de Petra Papp, de 5 para 46, sustenta. São 306 lances de meio-jogo medidos, e é o maior salto das duas seções.

O final mais caro da tabela é o de Nomin-Erdene Davaademberel, 41 centipeões em 246 lances, e a leitura preguiçosa seria dizer que ela joga mal os finais. Remedimos em profundidade 24, como manda a casa, os três lances que a profundidade 16 apontou como os piores dela, e os três saem da mesma partida: a décima rodada da liga turca, em 10 de agosto de 2026, contra Hatice Asli Mustu. No lance 78 ela tinha vantagem de 7,4 peões e jogou Be4, que a deixou em 1,3. No lance 117, 8,8 peões viraram 0,4 com Df3. No lance 140, 6,3 viraram 0,7 com Bd3. A partida durou 158 lances — e ela ganhou.

É por isso que um ACPL alto no final não é sinônimo de final mal jogado. O dela é o número de quem leva a partida até o fim, insiste numa posição ganha, deixa a vitória escapar das mãos três vezes e a recupera na quarta. As 99 partidas da amostra confirmam o feitio: duração mediana de 89 lances e 64,6% delas passando do lance 40, a maior proporção do elenco húngaro. Quem joga o dobro de finais tem o dobro de chances de que a engine encontre um lance caro.

Kata Karácsonyi tem outro desenho: 42 no meio-jogo e 40 no final, dois números altos e parelhos, que descrevem dificuldade que começa cedo e não melhora. Do lado irlandês os números são mais apertados, e o mais interessante é Adam Collins, com 17 no geral e as três fases entre 6 e 20 — o jogador mais regular da tabela, justamente aquele cuja linha fraca de repertório é a mais confiável do dossiê. São duas informações que apontam para lados opostos, e nenhuma cancela a outra. Tom O'Gorman é o único irlandês cujo meio-jogo, 29, é pior que o final, 21.

Duas coisas ficam de fora desta tabela de propósito. A contagem de blunders, porque a classificação usa a perda sem teto: um jogador já ganho que escolhe um mate mais demorado soma um blunder por um lance que não muda nada, e o ACPL, que limita cada avaliação a mil centipeões, não sofre disso. E os 'piores momentos' em si, que só entram no texto depois de remedidos em profundidade 24 — dos lances que checamos nesta rodada, a maior parte estava em posição já decidida, ganha ou perdida, onde a régua rasa cobra fortunas por lances que não mudam o resultado.

ACPL por fase nas 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta (Stockfish 19, profundidade 16), em centipeões por lance. Números do ponto de vista do adversário.
AtletaAberturaMeio-jogoFinalGeral
IM Tarun Kanyamarala6202922
IM Tom O'Gorman6292123
GM Alexander Baburin6233322
FM Adam Collins6201917
FM Kavin Venkatesan9311923
IM Zsóka Gaál6211817
IM Nomin-Erdene Davaademberel7324132
IM Szidónia Lázárné Vajda6252421
WGM Petra Papp5462834
WIM Kata Karácsonyi6424033

O que as contas online mostram, e o que elas não mostram

O repertório online dos adversários é o mesmo do tabuleiro?

Não, e o caso mais claro é o de Tom O'Gorman. Presencialmente ele divide as brancas entre 1.e4 e 1.d4, 13 partidas cada. Nas 77 partidas de brancas dos últimos 90 dias na conta dele do Chess.com, abre 1.Cf3 em 30 e 1.b3 em 14 — e o 1.b3 lhe rende 28,6%, com 4 vitórias e 10 derrotas. São ritmos diferentes: o dossiê online é de blitz e rápidas, e está aqui para responder a outra pergunta.

Seis das dez contas comprovadas têm partidas nos últimos 90 dias: Kanyamarala (55), O'Gorman (153), Collins (300), Venkatesan (279), Lázárné Vajda (11) e Papp (4). As de Zsóka Gaál e Nomin-Erdene Davaademberel existem e estão comprovadas, mas não registram partida nesse período — o que não quer dizer que a conta não seja delas, apenas que não há amostra. Alexander Baburin e Kata Karácsonyi não têm conta que satisfaça o critério de comprovação, e por isso não aparecem aqui.

O repertório online de O'Gorman é a razão de esta seção existir. Quem preparasse só pelo tabuleiro presencial veria um jogador que abre 1.e4 ou 1.d4 e nada mais; quem olhasse só a conta online veria um jogador de 1.Cf3 e 1.b3, o Ataque Nimzo-Larsen, que aparece em 11 das aberturas mais jogadas e rende a ele 4 vitórias contra 7 derrotas. As duas descrições estão certas, e nenhuma serve de prova para a outra. É por isso que o dossiê nunca soma as duas fontes: numa partida clássica de Olimpíada, com 90 minutos e incremento, o repertório que vale é o do tabuleiro.

O que o online acrescenta é um retrato mais recente e mais largo. Adam Collins, que presencialmente é um jogador de Ataque Índio do Rei, tem 300 partidas online nos últimos 90 dias, e de brancas a abertura que mais aparece é contra a Caro-Kann, com 10 partidas e 70%. Kavin Venkatesan tem 279, e de pretas a Siciliana aparece em 15 delas, com 60%. São números de blitz e de rápidas, com tudo o que isso significa: valem como indício de gosto, não de preparação.

Petra Papp tem 4 partidas online na janela, e o próprio dossiê marca a amostra como de baixa confiança. Quatro partidas não descrevem repertório de ninguém, e elas estão citadas aqui pelo mesmo motivo por que a amostra de 13 partidas de Baburin está na tabela da primeira seção: dizer o tamanho da amostra é parte do dado, e omiti-la seria a única forma de mentir com números verdadeiros.

O que observar na rodada 5

O que o dossiê sugere para o confronto do Brasil na rodada 5?

Três coisas verificáveis depois: se algum brasileiro de pretas enfrentar 1.e4 de Kata Karácsonyi, a Francesa é a resposta em que ela pontua menos, 28,6% em 7 partidas; contra Adam Collins de brancas, 1.d4 é a única aresta com confiança alta do confronto, 46,2% em 13; e contra Zsóka Gaál o dossiê não aponta nada, o que também é um resultado. Nada disso é previsão de placar.

Vale separar o que o dossiê faz do que ele não faz. Ele mostra onde o adversário pontuou menos no passado recente, com o número de partidas ao lado. Não diz o que o brasileiro joga bem, não mede a forma de ninguém nesta semana e não prevê resultado. As duas coisas só se encontram quando a linha em que o adversário pontua menos é também uma linha que o nosso lado joga — e, na rodada 4, isso aconteceu em um dos oito tabuleiros.

No absoluto, a leitura mais direta é a de Adam Collins, se ele for escalado: 1.d4 contra ele é a única recomendação do confronto que o dossiê classifica com confiança alta, e dentro dela o Gambito da Dama Recusado estreita ainda mais, para 37,5% em 8 partidas. Contra Tarun Kanyamarala, o dossiê não encontra aresta com as brancas, e a única fragilidade registrada exige que ele abra 1.e4 e receba a Francesa — situação que depende dele, e não de quem o enfrenta.

No feminino, o número que mais salta é o de Kata Karácsonyi, e ele vem com uma condição: as 56 partidas de brancas dela começaram com 1.e4, então a Francesa só entra em jogo se ela for escalada e tiver as brancas. A recíproca também está registrada: se a brasileira tiver as brancas contra ela, 1.Cf3 lhe rendeu 25% em 10 partidas, com confiança média — amostra melhor do que a da Francesa, e recomendação menos vistosa.

Por fim, o lembrete de sempre, que a rodada 4 ilustrou bem. André Diamant abriu 1.c4 contra um adversário que, nas 29 partidas de pretas da amostra, nunca tinha enfrentado esse lance: o dossiê não tinha o que dizer, e a partida terminou empatada. Jogar fora do dossiê do adversário não é erro — é uma decisão legítima, e às vezes a melhor. O que o dossiê garante é que a decisão seja tomada sabendo o que se está deixando de usar.

Perguntas frequentes

De onde vêm os dados do dossiê dos adversários do Brasil?

Das partidas clássicas presenciais transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID — 699 partidas nos dois elencos. Sobre elas rodam o repertório por cor, as linhas em que o adversário pontua abaixo da própria média e, nas 12 partidas mais recentes, o perfil de erros medido com Stockfish 19 em profundidade 16. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas e fica numa seção separada.

Os percentuais do dossiê são do Brasil ou do adversário?

Do adversário. Quando o texto diz que Kata Karácsonyi faz 28,6% em 7 partidas contra 1...e6, são os pontos dela nessas partidas. Percentual baixo é bom para quem a enfrenta.

Por que o dossiê cobre o elenco inteiro, e não os quatro tabuleiros?

Porque o emparceiramento sai antes da escalação. A tabela de confrontos da rodada 5 já estava publicada no chess-results quando esta matéria foi escrita, mas o PGN oficial, que é onde aparece quem joga em qual tabuleiro, só é publicado na hora da rodada. Em vez de adivinhar a escalação, o dossiê cobre os cinco atletas de cada elenco adversário e diz que a escalação ainda não é conhecida.

Como se sabe que as contas online são mesmo dos atletas?

Cada conta precisa de uma comprovação registrada: conta titulada do Chess.com, em que o título é verificado pela plataforma, com nome real e país batendo com o cadastro FIDE; ou perfil que aponte para o cadastro FIDE da pessoa; ou citação oficial da federação, do clube ou de torneio online. Coincidência de nome não basta. Das dez pessoas dos dois elencos, oito têm conta comprovada, seis delas com partidas nos últimos 90 dias — e quem não tem simplesmente não aparece na seção de blitz e rápidas.

Histórico de atualizações

  • 2026-09-19 — Publicação inicial, com o emparceiramento da rodada 5 conferido no chess-results e a rodada ainda por jogar: repertório das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess, perfil de erros com Stockfish 19 em profundidade 16 e, pela primeira vez na série, repertório de blitz e rápidas de contas online comprovadas. Os dossiês saem sobre o elenco inteiro dos dois adversários; quando a escalação sair, o mesmo arquivo passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida da rodada.
  • 2026-09-29 — A Olimpíada terminou em 27 de setembro: o Uzbequistão ganhou o aberto e a China o feminino. Esta cobertura deixou de ser atualizada; o resultado final está na notícia de classificação.

Fontes

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