Cobertura de torneio

Adversários do Brasil na rodada 6 da Olimpíada: como jogam a Bélgica e o Paraguai

Dois belgas abriram 1.e4 em todas as partidas de brancas da amostra — 46 de Elias Ruzhansky e 31 de Thibaut Vandenbussche. Os outros dois nunca abriram 1.e4. A escalação da Bélgica decide qual dos dois times o Brasil enfrenta.

19 min de leitura · Publicado em 2026-09-20 · Atualizado em 2026-09-29

Resposta direta

Na rodada 6 da 46ª Olimpíada de Xadrez, em 21 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta a Bélgica no absoluto, na mesa 18, e o Paraguai no feminino, na mesa 30. Esta matéria mostra, a partir das 417 partidas clássicas transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, o repertório de cada atleta dos dois elencos, as linhas em que cada um pontua abaixo da própria média, onde a engine encontra mais erros e o que o repertório online acrescenta — sempre com o número de partidas ao lado de cada percentual, porque é ele que diz quanto do dossiê se sustenta.

Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE

Como isto foi apurado: Apurado em 20 de setembro de 2026, com a rodada 5 encerrada e a rodada 6 ainda por jogar: ela começa em 21 de setembro, às 15h de Samarcanda (10h UTC). O emparceiramento foi conferido no chess-results; o PGN oficial com a escalação de cada equipe só sai na hora da rodada, e por isso este dossiê cobre o elenco inteiro dos dois adversários, e não os quatro tabuleiros. O repertório usa as 417 partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID — 289 do elenco belga e 128 do paraguaio. O perfil de erros mede as 12 partidas mais recentes de cada atleta com Stockfish 19 em profundidade 16; em Helen Montiel foram 10, porque duas partidas falharam na leitura e ficaram registradas como falha. Todo lance citado no texto foi remedido em profundidade 24, com busca dedicada e hash limpo. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas, com janela de 90 dias.

O essencial em poucas linhas

  • Na rodada 6, em 21 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta a Bélgica no absoluto (mesa 18) e o Paraguai no feminino (mesa 30). Nos dois confrontos as equipes estão empatadas em pontos de match e o Brasil está atrás no primeiro critério de desempate. A escalação só sai no PGN oficial na hora da rodada, então este dossiê cobre os dez atletas dos dois elencos.
  • A Bélgica é dois times em um. Elias Ruzhansky abriu 1.e4 nas 46 partidas de brancas da amostra e Thibaut Vandenbussche nas 31 dele — 100% os dois. Sim Maerevoet e Mikhail Gurevich não abriram 1.e4 nenhuma vez: jogam 1.d4, 1.c4 e 1.Cf3.
  • Mikhail Gurevich, aos 67 anos, faz 84,4% com as brancas em 16 partidas da amostra, sem uma derrota. É o melhor número de brancas dos dois elencos, e vem da menor amostra entre os belgas com dossiê completo.
  • Três das cinco paraguaias pontuam mais de pretas do que de brancas — Renata Mayeregger 75,0% em 14 contra 55,0% em 10, Gabriela Vargas 70,0% em 10 contra 53,3% em 15. A inversão é do time, não de uma atleta.
  • A engine confirmou dois erros reais no lado belga, os dois em posições que mudaram de resultado: Ruzhansky saiu de igualdade para −10,8 num final contra a Síria e empatou assim mesmo; Vandenbussche largou +10,2 num open belga e empatou. Nenhum dos dois é o lance que a leitura rasa apontaria.

O quadro da rodada 6

Quem o Brasil enfrenta na rodada 6 da Olimpíada de Xadrez de 2026?

No absoluto, a Bélgica, na mesa 18. No feminino, o Paraguai, na mesa 30. A rodada começa em 21 de setembro de 2026, às 15h de Samarcanda. A escalação de cada equipe só aparece no PGN oficial na hora da rodada, então o dossiê cobre os cinco atletas de cada elenco adversário: Sim Maerevoet, Mikhail Gurevich, Elias Ruzhansky, Thibaut Vandenbussche e Arben Dardha pela Bélgica; Gabriela Vargas, Fiorella Mayeregger, Renata Mayeregger, Helen Montiel e Paula Oviedo pelo Paraguai.

O Brasil chega à sexta rodada depois de vencer a Irlanda por 2,5 a 1,5 no absoluto e de perder para a Hungria por 1 a 3 no feminino. Os dois confrontos de agora repetem um desenho que já apareceu na rodada passada: as equipes empatadas em pontos de match e o Brasil atrás no primeiro critério de desempate. No absoluto, Brasil e Bélgica têm 7 pontos de match, e a Bélgica leva 12,5 pontos de partida contra 11. No feminino, Brasil e Paraguai têm 6 pontos de match, e o Paraguai leva 15 contra 13.

Em rating, o Brasil é favorito nos dois. É o cabeça de chave 31 do absoluto e enfrenta o 46; no feminino é o 44 e enfrenta o 76. A diferença entre o ranking e a tabela é o que o sistema suíço produz depois de cinco rodadas: ele junta quem somou o mesmo, não quem tem o mesmo rating. A Bélgica chegou aqui empatando com o Irã em 2 a 2 na rodada 3 e perdendo para a Geórgia por 1 a 3 na rodada 4; o Paraguai alternou quatro goleadas e duas derrotas apertadas, para Suécia e Croácia, ambas por 1,5 a 2,5.

A coluna de amostra da tabela abaixo diz quanto de cada dossiê se sustenta. Sim Maerevoet tem 106 partidas clássicas transmitidas em três anos, a maior do confronto; Arben Dardha tem 6, e é o único atleta dos dez que o dossiê marca como baixa confiança. Dele não saem linhas fracas nem plano de jogo nesta matéria, e a razão é aritmética: com três partidas por cor, qualquer percentual é ruído. São 417 partidas no total, 289 belgas e 128 paraguaias.

Nenhum dos dez jogou as cinco rodadas. Gurevich entrou nas rodadas 1, 2 e 5; Maerevoet, da 2 à 5; Helen Montiel só a partir da rodada 3. Times de Olimpíada rodam o elenco, e é por isso que o dossiê cobre os cinco de cada lado em vez de tentar adivinhar quatro.

Elencos adversários da rodada 6, com o rating do PGN oficial da rodada 5. A amostra é o número de partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess. Os percentuais são do ponto de vista do adversário: número baixo é bom para o Brasil. Nenhuma das duas equipes havia divulgado a escalação até o fechamento.
SeçãoAtletaRatingAmostraBrancasPretas
Absoluto (Bélgica)GM Mikhail Gurevich25332784,4% em 1663,6% em 11
Absoluto (Bélgica)IM Sim Maerevoet246110665,7% em 5461,5% em 52
Absoluto (Bélgica)IM Elias Ruzhansky24278860,9% em 4654,8% em 42
Absoluto (Bélgica)IM Thibaut Vandenbussche24116262,9% em 3159,7% em 31
Absoluto (Bélgica)FM Arben Dardha2229650,0% em 350,0% em 3
Feminino (Paraguai)WIM Gabriela Vargas21232553,3% em 1570,0% em 10
Feminino (Paraguai)WCM Fiorella Mayeregger19793262,5% em 1665,6% em 16
Feminino (Paraguai)WFM Paula Oviedo19101475,0% em 841,7% em 6
Feminino (Paraguai)WFM Renata Mayeregger19052455,0% em 1075,0% em 14
Feminino (Paraguai)WFM Helen Montiel19003360,0% em 1541,7% em 18

Bélgica: dois repertórios dentro do mesmo time

Como jogam os adversários do Brasil no absoluto da rodada 6?

O elenco belga se divide em dois. Elias Ruzhansky e Thibaut Vandenbussche abriram 1.e4 em todas as partidas de brancas da amostra — 46 e 31, respectivamente. Sim Maerevoet e Mikhail Gurevich não abriram 1.e4 nenhuma vez, e dividem as brancas entre 1.d4, 1.c4 e 1.Cf3. Contra Ruzhansky, o dossiê aponta 1...e6: ele cai de 60,9% para 54,5% em 11 partidas. Vandenbussche pontua 50,0% em 6 partidas contra a Siciliana com 2...d6.

Saber que lance vem primeiro é a parte da preparação que custa menos e rende mais, e aqui ela separa o time em dois blocos. Ruzhansky abriu 1.e4 nas 46 partidas de brancas que tem na amostra, e Vandenbussche nas 31 dele. Não é 'quase sempre': é a totalidade do que foi transmitido em três anos. Do outro lado, Maerevoet distribui as 54 partidas de brancas entre 1.d4, 1.Cf3 e 1.c4, e Gurevich faz o mesmo com as 16 dele. Quem o Brasil vai encontrar em cada tabuleiro muda o trabalho de preparação por inteiro, e isso só se saberá na hora.

Elias Ruzhansky, o segundo tabuleiro da Bélgica nas rodadas em que jogou, é o mais empatador do elenco: 22 empates nas 46 partidas de brancas e 18 nas 42 de pretas. Os 60,9% de brancas vêm de 17 vitórias e 7 derrotas em 46 partidas, um perfil de quem raramente perde e raramente arrasa. Contra ele o dossiê aponta a Francesa: de brancas, depois de 1.e4 e6, ele faz 54,5% em 11 partidas, contra 60,9% da própria média. São seis pontos percentuais em onze partidas — um indício de confiança média, não um plano fechado. A linha 1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 lhe rendeu 33,3% em 3, e três partidas não sustentam recomendação nenhuma.

Thibaut Vandenbussche é o mais equilibrado entre as cores, 62,9% de brancas e 59,7% de pretas, e tem a aresta mais confiável do elenco belga: contra a Siciliana com 2...d6 ele faz 50,0% em 6 partidas, quase 13 pontos abaixo da própria média de brancas. A mesma direção aparece com 2...e6 (50,0% em 5) e com a Francesa (50,0% em 3), o que sugere que o problema não é uma variante específica e sim o que acontece quando as pretas não entram no jogo aberto que ele prefere. De pretas ele responde 1...c5 a 1.e4 em 16 das 31 partidas, e ali faz 62,5% — acima da própria média, ou seja, aresta nenhuma.

Mikhail Gurevich é o nome que qualquer preparação reconhece, e o dossiê explica por que ele continua no elenco aos 67 anos. Nas 16 partidas de brancas da amostra ele fez 11 vitórias, 5 empates e nenhuma derrota — 84,4%, o melhor número de brancas dos dois confrontos desta matéria. De pretas são 63,6% em 11. A ressalva é a de sempre e vale dita: são 27 partidas em três anos, a segunda menor amostra do elenco, e ele joga pouco xadrez clássico transmitido. O que o dossiê registra como linha fraca dele é nada: em 27 partidas não há linha com três repetições e queda de dez pontos.

Sim Maerevoet, com 106 partidas, é o mais bem descrito do elenco e também o mais difícil de atacar. Faz 65,7% de brancas e 61,5% de pretas, e as duas linhas fracas registradas — 1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3 e a Siciliana com 2...d6, ambas 50,0% em 3 partidas — têm amostra pequena demais para virar plano. Contra ele, o que o dossiê encontra de brancas é 1.e4, com 59,3% em 27 partidas: abaixo dos 61,5% da média de pretas dele por uma margem que não significa nada. É um jogador sem buraco visível, e dizer isso é informação de preparação tanto quanto apontar uma linha.

Arben Dardha, pai de Daniel Dardha e quinto do elenco, tem 6 partidas clássicas transmitidas em três anos. O dossiê marca baixa confiança, e por isso esta matéria não publica repertório nem linha fraca dele. O que dá para dizer com 6 partidas é que ele jogou três com cada cor e fez 50,0% nas duas — e isso é quase nada.

Paraguai: as irmãs Mayeregger e um time que pontua mais de pretas

Como jogam as adversárias do Brasil no feminino da rodada 6?

Três das cinco paraguaias pontuam mais com as pretas do que com as brancas, uma inversão do padrão normal: Renata Mayeregger faz 75,0% em 14 partidas de pretas contra 55,0% em 10 de brancas, e Gabriela Vargas, 70,0% em 10 contra 53,3% em 15. As duas exceções são Paula Oviedo (75,0% de brancas em 8, 41,7% de pretas em 6) e Helen Montiel, que faz 41,7% de pretas em 18 partidas e cai a 25,0% em 6 na Siciliana com 2...e6.

O elenco paraguaio tem duas irmãs, Fiorella Allegra e Renata Valentina Mayeregger, nos tabuleiros 2 e 4 da lista de inscrição, e cinco atletas separadas por 223 pontos de rating — de 2123 a 1900. A amostra vai de 14 a 33 partidas: nenhuma é baixa confiança pelo critério do dossiê, que começa a marcar abaixo de 10, mas nenhuma é grande o bastante para sustentar afirmação forte sobre uma variante específica. Quase todas as linhas fracas registradas no time têm três ou quatro partidas.

A inversão entre as cores é o achado do time. Renata Mayeregger faz 75,0% em 14 partidas de pretas e 55,0% em 10 de brancas; Gabriela Vargas, a primeira do elenco, faz 70,0% em 10 de pretas e 53,3% em 15 de brancas; Fiorella Mayeregger fica em 65,6% e 62,5%, com 16 partidas de cada. Três atletas com o mesmo desenho não é coincidência de amostra pequena, é um traço do grupo: são jogadoras que se defendem melhor do que atacam, pelo menos no recorte que o Lichess transmitiu. Contra elas, a vantagem da primeira jogada rende menos do que o rating sugere.

Helen Montiel é a exceção mais útil ao Brasil, e a que tem a linha mais confiável do elenco. Ela faz 41,7% em 18 partidas de pretas, o pior número do time nessa cor, e dentro dele há um ponto específico: contra 1.e4 c5 2.Cf3 e6 ela cai para 25,0% em 6 partidas, quase 17 pontos abaixo da própria média. É a única linha fraca de confiança média dos dois elencos do lado paraguaio. De brancas ela é outra jogadora, 60,0% em 15, e abre 1.d4 na maior parte das vezes.

Paula Oviedo tem a menor amostra do time, 14 partidas, e a maior distância entre as cores: 75,0% em 8 de brancas contra 41,7% em 6 de pretas. Com seis e oito partidas, porém, a distância é mais uma pergunta do que uma resposta. O que o dossiê consegue dizer é que, de brancas, ela apareceu com a Siciliana Alapin duas vezes, e que contra ela o primeiro lance com melhor histórico para quem enfrenta é 1.e4 — 25,0% em 4 partidas, confiança baixa.

Gabriela Vargas joga as partidas mais longas dos dez atletas desta matéria: mediana de 99 meios-lances, com 84% das partidas passando do lance 40. Quem a enfrenta deve contar com final, e com final depois do controle de tempo. É o tipo de informação que não aparece no repertório e muda o preparo do dia: dormir bem importa mais contra ela do que decorar uma variante.

Onde a engine encontra os erros

Em que fase da partida os belgas e as paraguaias mais perdem avaliação?

Nas 12 partidas mais recentes de cada atleta, medidas com Stockfish 19 em profundidade 16, os quatro belgas com dossiê completo ficam entre 5 e 7 centipeões por lance na abertura, e as cinco paraguaias, entre 8 e 14. A diferença de nível aparece antes do meio-jogo. O número mais alto do confronto é o final de Paula Oviedo, 84 centipeões em 96 lances — e a remedição em profundidade 24 mostrou que ele descreve duas partidas já ganhas, não um defeito.

A tabela traz a perda média de avaliação por lance em cada fase, com o número de lances medidos ao lado. Esse segundo número importa tanto quanto o primeiro: 84 centipeões sobre 96 lances de final e 23 sobre 33 descrevem coisas diferentes, ainda que a coluna seja a mesma. A coluna da abertura é a que menos varia dentro de cada time e a que mais separa os dois: de 5 a 7 no lado belga, de 8 a 14 no paraguaio. É onde a preparação aparece.

Do lado belga, Sim Maerevoet tem o perfil mais limpo — 15 no meio-jogo e 19 no final, sobre 210 e 185 lances —, o que combina com um dossiê sem aresta explorável. Thibaut Vandenbussche tem o meio-jogo mais caro do elenco, 31 sobre 201 lances, e o final mais barato, 17 sobre 97. Mikhail Gurevich é o oposto: 22 no meio-jogo e 29 no final, este sobre 298 lances, a maior base de final do confronto. Ele joga finais longos, e paga um pouco por isso.

O pior momento que a passagem em profundidade 16 apontou em Gurevich era um final de rei e peão contra Bashir Eiti, da Síria, na rodada 2 desta Olimpíada, com perda registrada de 970 centipeões. Remedido em profundidade 24, o lance não é erro: a posição era mate em 13, ele escolheu uma linha que dá mate em 12 em vez da que dá mate em 9, e venceu a partida. É o mesmo artefato que já apareceu na rodada 5 desta série — em posição decidida, uma passagem rasa cobra fortunas por lances que não mudam nada.

Os dois erros que sobreviveram à conferência são de outra natureza, e chamam atenção justamente por serem pequenos na medição rasa. Contra Mazen Fandi, da Síria, na rodada 2 da Olimpíada, Elias Ruzhansky estava em igualdade exata quando jogou 32.Tb1: a avaliação foi de 0,00 para −10,77, porque a torre em h1 tinha de ser capturada. Ele empatou a partida assim mesmo. Um mês antes, no Open de Geraardsbergen, Thibaut Vandenbussche tinha +10,15 contra Chunhui Du e jogou 29.Cf4 em vez de 29.Cxf6+: a avaliação desabou para +0,07 e a partida terminou empatada.

Vale registrar o padrão, porque ele se repete a cada rodada desta série e é contraintuitivo: os piores momentos com perda gigantesca na profundidade 16 são quase sempre artefato de posição já decidida, e os erros que de fato mudaram o resultado apareceram com perdas modestas — 981 e 855 centipeões, aqui. Por isso nenhum número de pior momento chega a este texto sem ser remedido em profundidade 24, com busca dedicada e hash limpo.

Do lado paraguaio, os dois finais mais caros são de Paula Oviedo (84 em 96 lances) e Renata Mayeregger (65 em 185). Os três piores momentos de Oviedo vêm da mesma partida, contra a Colômbia na Olimpíada de Budapeste de 2024, e a remedição desmontou os dois primeiros: no lance 68 ela jogou o lance que é a primeira escolha da própria engine, e no lance 65 trocou um mate em 15 por uma posição de +8,3, o que nenhuma definição razoável chama de erro. O 84 descreve uma partida ganha que demorou a terminar. O mesmo vale para o número de Renata Mayeregger, cujos dois piores momentos estão em posições já perdidas por nove peões.

A contagem de blunders não vai para a tabela, e a razão é metodológica: a classificação usa a perda sem teto, então um jogador ganho que escolhe um mate mais lento soma um blunder. Gurevich é exatamente esse caso. A perda média por lance limita cada avaliação a mil centipeões e não sofre do mesmo problema.

Perda média de avaliação por lance (centipeões), nas 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, com Stockfish 19 em profundidade 16. Entre parênteses, o número de lances medidos em cada fase. Em Helen Montiel foram 10 partidas: duas falharam na leitura. Em Arben Dardha, 6 — é toda a amostra dele.
SeçãoAtletaAberturaMeio-jogoFinal
Absoluto (Bélgica)GM Mikhail Gurevich7 (95)22 (257)29 (298)
Absoluto (Bélgica)IM Sim Maerevoet6 (101)15 (210)19 (185)
Absoluto (Bélgica)IM Elias Ruzhansky5 (104)19 (245)26 (140)
Absoluto (Bélgica)IM Thibaut Vandenbussche6 (101)31 (201)17 (97)
Absoluto (Bélgica)FM Arben Dardha5 (51)24 (172)26 (38)
Feminino (Paraguai)WIM Gabriela Vargas13 (104)37 (285)23 (164)
Feminino (Paraguai)WCM Fiorella Mayeregger11 (101)34 (266)23 (33)
Feminino (Paraguai)WFM Paula Oviedo9 (103)34 (240)84 (96)
Feminino (Paraguai)WFM Renata Mayeregger14 (100)45 (278)65 (185)
Feminino (Paraguai)WFM Helen Montiel8 (84)40 (197)12 (98)

O que as contas online mostram, e o que elas não mostram

O repertório de blitz e rápidas dos adversários do Brasil diz a mesma coisa?

Seis dos dez adversários têm conta do Chess.com comprovada, e três delas têm partidas nos últimos 90 dias: Sim Maerevoet (44 partidas), Paula Oviedo (15) e Helen Montiel (1). Maerevoet joga online bem abaixo do que joga presencialmente — 54,3% de brancas contra 65,7% no clássico. Quatro atletas não têm conta comprovada e ficam de fora desta seção.

Esta seção responde a outra pergunta que a anterior, e por isso fica separada. O repertório de blitz e rápidas costuma ser mais largo do que o clássico, e o que uma pessoa joga com três minutos não é o que ela prepara para uma partida de cinco horas. Serve para saber o que ela conhece, não o que ela vai jogar amanhã.

Sim Maerevoet é o único do confronto com amostra online aproveitável: 44 partidas em 90 dias na conta minisim, com título IM verificado pela plataforma. Ali ele faz 54,3% de brancas em 23 partidas e 52,4% de pretas em 21 — onze pontos abaixo do que faz no tabuleiro, nas duas cores. O dado é interessante pelo que não é: não significa que ele jogue pior, significa que a oposição online e o ritmo são outros. As duas linhas que o dossiê marca ali têm três e quatro partidas, e não sustentam nada.

Paula Oviedo tem 15 partidas na conta dharichess, com 64,3% de brancas em 7 e 56,2% de pretas em 8 — amostra pequena, dita como tal. Helen Montiel tem uma única partida na janela, e uma partida não é amostra. Mikhail Gurevich, Arben Dardha e Gabriela Vargas têm conta comprovada e nenhuma partida clássica ou rápida no período: a conta existe e está parada, o que é diferente de a conta não existir.

Quatro adversários ficam de fora desta seção porque não foi possível comprovar conta nenhuma: Elias Ruzhansky, Thibaut Vandenbussche e as duas irmãs Mayeregger. Nenhum deles aparece no índice de contas tituladas do Chess.com com nome real compatível, e nenhum tem perfil do Lichess com título verificado. Coincidência de nome de usuário não é comprovação, e publicar o repertório de um desconhecido com o nome de um atleta é pior do que não publicar nada.

O que observar na rodada 6

O que o dossiê sugere para o Brasil na rodada 6?

No absoluto, a escalação belga define o trabalho: contra Ruzhansky e Vandenbussche o Brasil sabe que virá 1.e4, e contra Maerevoet e Gurevich não sabe nada do primeiro lance. No feminino, a linha mais confiável do confronto é a Siciliana com 2...e6 contra Helen Montiel, 25,0% em 6 partidas, e o alerta é a preferência do time paraguaio pelas pretas.

A pergunta prática do absoluto não é qual variante jogar, e sim quem vai estar sentado. Se a Bélgica escalar Ruzhansky e Vandenbussche nos tabuleiros de cima, o Brasil enfrenta dois jogadores de 1.e4 cujo repertório de brancas tem zero surpresa no primeiro lance e arestas conhecidas depois dele — a Francesa contra Ruzhansky, a Siciliana com 2...d6 contra Vandenbussche. Se escalar Maerevoet e Gurevich, a preparação por abertura rende bem menos, e o que sobra é o perfil de erros: Maerevoet quase não erra, e Gurevich joga finais longos.

No feminino, o número que o Brasil pode usar com mais confiança é o de Helen Montiel contra a Siciliana com 2...e6: 25,0% em 6 partidas, contra 41,7% da própria média de pretas. É uma linha com seis partidas, ou seja, um indício forte, não uma certeza. O aviso do outro lado é o time inteiro pontuar melhor de pretas: quem tiver as brancas contra Vargas ou Renata Mayeregger encontra adversárias mais confortáveis do que o rating faria supor, e a diferença entre 70 e 53 por cento não se explica por acaso em três atletas ao mesmo tempo.

Quando a rodada começar e o PGN oficial trouxer a escalação, o arquivo de dossiê desta matéria passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida de cada mesa, sem que o texto precise mudar. Até lá, o que está aqui é o elenco inteiro — que é o que existe para preparar na véspera.

Perguntas frequentes

De onde vêm os dados do dossiê dos adversários do Brasil?

Das partidas clássicas presenciais transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID — 417 partidas nos dois elencos, 289 belgas e 128 paraguaias. Sobre elas rodam o repertório por cor, as linhas em que o adversário pontua abaixo da própria média e, nas 12 partidas mais recentes, o perfil de erros medido com Stockfish 19 em profundidade 16, com cada lance citado remedido em profundidade 24. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas e fica numa seção separada.

Os percentuais do dossiê são do Brasil ou do adversário?

Do adversário, sempre. Quando o texto diz que Helen Montiel faz 25,0% em 6 partidas contra a Siciliana com 2...e6, o número é o aproveitamento dela naquela linha: quanto menor, melhor para quem a enfrenta. O mesmo vale para as colunas de brancas e pretas da tabela de elencos.

Por que a matéria não diz quem joga em cada tabuleiro?

Porque a escalação de cada equipe só é publicada no PGN oficial na hora em que a rodada começa. O emparceiramento entre as equipes sai antes, no chess-results, e é o que permite escrever o dossiê na véspera. Como quase sempre entram quatro dos cinco inscritos, cobrir o elenco inteiro resolve: quando a escalação sair, o arquivo de dossiê ligado a esta matéria passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida da rodada.

Por que a contagem de blunders não aparece na tabela da engine?

Porque a classificação de blunder usa a perda de avaliação sem teto, e isso produz falsos positivos em posições decididas: um jogador com mate em 13 que escolhe o mate em 12 soma um blunder sem ter errado, como aconteceu com Mikhail Gurevich nesta amostra. A perda média por lance limita cada avaliação a mil centipeões e descreve a tendência sem esse defeito. Por isso a tabela traz perda média por fase, e todo lance citado no texto foi remedido em profundidade 24.

Histórico de atualizações

  • 2026-09-20 — Publicação inicial, com o emparceiramento da rodada 6 conferido no chess-results e a rodada ainda por jogar: repertório das 417 partidas clássicas transmitidas pelo Lichess, perfil de erros com Stockfish 19 em profundidade 16 e repertório de blitz e rápidas das contas comprovadas. Os dossiês saem sobre o elenco inteiro dos dois adversários; quando a escalação sair, o mesmo arquivo passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida da rodada.
  • 2026-09-29 — A Olimpíada terminou em 27 de setembro: o Uzbequistão ganhou o aberto e a China o feminino. Esta cobertura deixou de ser atualizada; o resultado final está na notícia de classificação.

Fontes

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