Adversários do Brasil na rodada 7 da Olimpíada: como jogam o Tajiquistão e o Vietnã
Nas 270 partidas de brancas dos dez adversários, 1.e4 aparece cinco vezes — e nunca duas com o mesmo atleta. O Brasil pode preparar as pretas contra 1.d4 nos oito tabuleiros, e a pergunta passa a ser qual 1.d4.
21 min de leitura · Publicado em 2026-09-21 · Atualizado em 2026-09-29
Resposta direta
Na rodada 7 da 46ª Olimpíada de Xadrez, em 23 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta o Tajiquistão no absoluto, na mesa 21, e o Vietnã no feminino, na mesa 15. Esta matéria mostra, a partir das 528 partidas clássicas transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, o repertório de cada atleta dos dois elencos, as linhas em que cada um pontua abaixo da própria média, onde a engine encontra mais erros e o que o repertório online acrescenta — sempre com o número de partidas ao lado de cada percentual, porque é ele que diz quanto do dossiê se sustenta.
Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE
Como isto foi apurado: Apurado em 21 de setembro de 2026, com a rodada 6 encerrada e a rodada 7 ainda por jogar: ela começa em 23 de setembro, às 15h de Samarcanda (10h UTC), depois do dia de folga. O emparceiramento foi conferido no chess-results; o PGN oficial com a escalação de cada equipe só sai na hora da rodada, e por isso este dossiê cobre o elenco inteiro dos dois adversários, e não os quatro tabuleiros. O repertório usa as 528 partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID — 363 do elenco tajique e 165 do vietnamita. O perfil de erros mede as 12 partidas mais recentes de cada atleta com Stockfish 19 em profundidade 16; em Mustafokhuja Khusenkhojaev foram 11, porque uma partida falhou na leitura e ficou registrada como falha. Todo lance citado no texto foi remedido em profundidade 24, com busca dedicada e hash limpo, e os finais de até sete peças foram conferidos na tablebase do Lichess. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas, com janela de 90 dias.
O essencial em poucas linhas
- Na rodada 7, em 23 de setembro de 2026, o Brasil enfrenta o Tajiquistão no absoluto (mesa 21) e o Vietnã no feminino (mesa 15). Os quatro times chegam com 8 pontos de match. A escalação só sai no PGN oficial na hora da rodada, então este dossiê cobre os dez atletas dos dois elencos.
- Nove dos dez adversários abrem 1.d4 na maioria das partidas de brancas, e nas 270 partidas de brancas da amostra 1.e4 aparece cinco vezes, nunca duas com o mesmo atleta. A exceção é Mekhriddin Sharifov, que abre 1.Cf3 ou 1.c4 em 15 das 19.
- Três tajiques pontuam abaixo da própria média depois de 1.d4 Cf6 2.c4 e6: Muhammad Khusenkhojaev faz 38,9% em 9 partidas, Jaloliddin Ilkhomi 56,5% em 31 e Mustafokhuja Khusenkhojaev 65,2% em 23. Com 3...c5 depois de 3.g3, Mustafokhuja cai para 50,0% em 7 e Ilkhomi para 44,4% em 9.
- Luong Phuong Hanh faz 30,4% com as pretas em 28 partidas contra adversários, em média, do próprio nível. Na Siciliana com 2...e6, que ela escolhe contra 1.e4, fez 10,0% em 5 partidas clássicas, e o mesmo buraco aparece nas rápidas do Chess.com: 23,5% em 17.
- Na rodada 6, disputada hoje, dois tajiques escaparam com empate de finais que a tablebase dá como resolvidos. Mekhriddin Sharifov tinha o final ganho contra David Navara e jogou 64...Rf4, que empata; Jaloliddin Ilkhomi entrou num final perdido com 74.Ra4 e empatou assim mesmo.
O quadro da rodada 7
Quem o Brasil enfrenta na rodada 7 da Olimpíada de Xadrez de 2026?
No absoluto, o Tajiquistão, na mesa 21. No feminino, o Vietnã, na mesa 15. A rodada começa em 23 de setembro de 2026, às 15h de Samarcanda, depois do dia de folga. A escalação de cada equipe só aparece no PGN oficial na hora da rodada, então o dossiê cobre os cinco atletas de cada elenco adversário: Mekhriddin Sharifov, Muhammad Khusenkhojaev, Mustafokhuja Khusenkhojaev, Jaloliddin Ilkhomi e Amin Kabilov pelo Tajiquistão; Pham Le Thao Nguyen, Vo Thi Kim Phung, Nguyen Thi Mai Hung, Luong Phuong Hanh e Bach Ngoc Thuy Duong pelo Vietnã.
O Brasil chega à sétima rodada depois de empatar com a Bélgica em 2 a 2 no absoluto e de vencer o Paraguai por 4 a 0 no feminino. Os quatro times do confronto têm 8 pontos de match. No absoluto, o Tajiquistão tem 14,5 pontos de partida contra 13 do Brasil; no feminino, o Brasil tem 17 contra 16 do Vietnã.
Em rating, os dois confrontos apontam em direções opostas. No absoluto, o Brasil é o cabeça de chave 31 e enfrenta o 61. No feminino é o contrário: o Brasil é o 44 e enfrenta o 21, um time que abriu a Olimpíada com três vitórias, perdeu para a Polônia por 1 a 3, fez 4 a 0 na Noruega e levou 0 a 4 da França na rodada 6. O Tajiquistão também vem de derrota: perdeu para a República Tcheca por 1 a 3, com dois empates que a seção da engine conta em detalhe.
A coluna de amostra da tabela abaixo diz quanto de cada dossiê se sustenta. Jaloliddin Ilkhomi tem 131 partidas clássicas transmitidas em três anos, a maior do confronto; Vo Thi Kim Phung tem 15 e Bach Ngoc Thuy Duong, 16. Nenhum dos dez fica abaixo de 10, o limite em que o dossiê marca baixa confiança, mas as duas vietnamitas só jogaram Olimpíada no recorte: as 15 partidas de Vo e as 16 de Bach são das Olimpíadas de Budapeste e de Samarcanda. São 528 partidas no total, 363 tajiques e 165 vietnamitas.
Só Ilkhomi e Bach jogaram as seis rodadas. Mustafokhuja Khusenkhojaev, o primeiro tabuleiro da lista tajique, ficou fora da rodada 6; Nguyen Thi Mai Hung, das rodadas 4 e 6. Times de Olimpíada rodam o elenco, e é por isso que o dossiê cobre os cinco de cada lado em vez de tentar adivinhar quatro.
| Seção | Atleta | Rating | Amostra | Brancas | Pretas |
|---|---|---|---|---|---|
| Absoluto (Tajiquistão) | FM Mekhriddin Sharifov | 2419 | 41 | 68,4% em 19 | 40,9% em 22 |
| Absoluto (Tajiquistão) | IM Muhammad Khusenkhojaev | 2408 | 86 | 62,8% em 43 | 69,8% em 43 |
| Absoluto (Tajiquistão) | IM Mustafokhuja Khusenkhojaev | 2404 | 85 | 69,3% em 44 | 53,7% em 41 |
| Absoluto (Tajiquistão) | IM Jaloliddin Ilkhomi | 2391 | 131 | 60,7% em 70 | 40,2% em 61 |
| Absoluto (Tajiquistão) | FM Amin Kabilov | 2285 | 20 | 60,0% em 10 | 45,0% em 10 |
| Feminino (Vietnã) | IM Pham Le Thao Nguyen | 2348 | 40 | 57,5% em 20 | 52,5% em 20 |
| Feminino (Vietnã) | WGM Vo Thi Kim Phung | 2311 | 15 | 64,3% em 7 | 56,2% em 8 |
| Feminino (Vietnã) | WGM Nguyen Thi Mai Hung | 2277 | 39 | 54,8% em 21 | 44,4% em 18 |
| Feminino (Vietnã) | WGM Luong Phuong Hanh | 2210 | 55 | 53,7% em 27 | 30,4% em 28 |
| Feminino (Vietnã) | WIM Bach Ngoc Thuy Duong | 2098 | 16 | 77,8% em 9 | 64,3% em 7 |
Tajiquistão: quatro jogadores de 1.d4 e uma exceção
Como jogam os adversários do Brasil no absoluto da rodada 7?
Quatro dos cinco tajiques abrem 1.d4 e montam a partida com g3, no estilo Catalão: Mustafokhuja Khusenkhojaev fez isso em 43 das 44 partidas de brancas da amostra. Contra 1.d4 Cf6 2.c4 e6 três deles pontuam abaixo da própria média — Muhammad Khusenkhojaev cai a 38,9% em 9 partidas. De pretas, Jaloliddin Ilkhomi faz 32,0% em 25 partidas contra 1.e4, e 28,6% em 14 na Francesa.
Preparar contra o Tajiquistão começa com uma certeza rara. Mustafokhuja Khusenkhojaev abriu 1.d4 em 43 das 44 partidas de brancas transmitidas em três anos, Muhammad Khusenkhojaev em 39 das 43, Jaloliddin Ilkhomi em 60 das 70 e Amin Kabilov em 8 das 10. Não é só o primeiro lance que se repete. As aberturas mais jogadas por Mustafokhuja e por Ilkhomi são as mesmas três — o Catalão, a Benoni com fianqueto e a Bogo-Índia com o bispo recuando —, todas nascidas de 1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.g3. O time tem uma casa, e ela fica em g2.
É justamente nessa casa que aparece a aresta mais útil do confronto. Depois de 1.d4 Cf6 2.c4 e6, Muhammad Khusenkhojaev faz 38,9% em 9 partidas, contra 62,8% da própria média de brancas; Ilkhomi faz 56,5% em 31, e Mustafokhuja, 65,2% em 23, abaixo dos 69,3% dele. Quando as pretas respondem 3.g3 com 3...c5, o número cai mais: 50,0% em 7 partidas para Mustafokhuja e 44,4% em 9 para Ilkhomi, com seis empates. São amostras de sete e nove partidas, indício de confiança média e não plano fechado, mas é o mesmo indício em dois jogadores diferentes, o que vale mais do que um número grande em um só.
Mustafokhuja Khusenkhojaev tem o melhor número de brancas do elenco, 69,3% em 44 partidas, e é o jogador mais previsível dele. De pretas ele cai para 53,7% em 41 e não tem ponto fraco claro: contra 1.e4 faz 52,3% em 22 partidas, quase a própria média, respondendo 1...e5 em 21 delas. A Italiana com 3...Bc5 4.d3 lhe rendeu 33,3% em 3, amostra que não sustenta nada.
Muhammad Khusenkhojaev é o caso contrário, e o que mais engana na tabela. Faz 69,8% com as pretas em 43 partidas, o melhor número de pretas dos dois elencos, numa amostra em que os adversários têm rating médio de 2259 — cerca de 150 pontos abaixo do dele. É um número de quem jogou muito open e ganhou dos mais fracos, não de quem neutraliza as brancas de um mestre. Contra 1.e4 ele cai para 63,6% em 22, e dentro disso a linha 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 lhe rende 57,9% em 19, a linha fraca mais confiável do time pelo tamanho da amostra.
Jaloliddin Ilkhomi tem a maior amostra do confronto e a assimetria mais explorável. De brancas faz 60,7% em 70 partidas; de pretas, 40,2% em 61. Contra 1.e4 o número cai para 32,0% em 25 partidas, com duas vitórias, e a Francesa que ele escolhe em 15 delas lhe rende 33,3% — 28,6% nas 14 que seguem 2.d4 d5. A Caro-Kann não é melhor: 31,2% em 8.
Mekhriddin Sharifov é o primeiro do elenco em rating, 2419, e o único que não joga 1.d4: abre 1.Cf3 ou 1.c4 em 15 das 19 partidas de brancas e faz 68,4%. De pretas cai para 40,9% em 22, e contra 1.d4 fica em 28,6% em 7. O rating dele subiu depressa — a mediana na amostra é 2259 —, então as partidas antigas descrevem um jogador mais fraco do que o de agora. Amin Kabilov, o quinto, tem 20 partidas e as mais longas do time: mediana de 101 meios-lances, com 75% das partidas passando do lance 40.
Vietnã: cinco jogadoras de 1.d4 e uma Siciliana que não funciona
Como jogam as adversárias do Brasil no feminino da rodada 7?
As cinco vietnamitas abrem 1.d4 na maioria das partidas de brancas — Nguyen Thi Mai Hung em 21 de 21 e Bach Ngoc Thuy Duong em 9 de 9. De pretas, o ponto fraco mais claro é de Luong Phuong Hanh, que faz 30,4% em 28 partidas e 10,0% em 5 com a Siciliana de 2...e6. Pham Le Thao Nguyen, a primeira do elenco, cai para 41,7% em 6 partidas na Caro-Kann.
O Vietnã repete o desenho do Tajiquistão com ainda menos variação. Nguyen Thi Mai Hung abriu 1.d4 nas 21 partidas de brancas da amostra, Bach Ngoc Thuy Duong nas 9, Pham Le Thao Nguyen em 19 de 20, Vo Thi Kim Phung em 6 de 7 e Luong Phuong Hanh em 21 de 27, com 1.Cf3 em 5 das outras 6. O Brasil vai para o feminino sabendo o primeiro lance das brancas adversárias em quatro tabuleiros, e o trabalho se concentra em outra pergunta: o que fazer com as próprias brancas.
É ali que está a melhor notícia do confronto. Luong Phuong Hanh faz 30,4% com as pretas em 28 partidas, e o número não é efeito de oposição forte: os adversários dela na amostra têm rating médio de 2196, contra os 2210 dela. Contra 1.d4 são 12,5% em 8, com sete derrotas; contra 1.e4, 36,7% em 15. Contra 1.e4 ela responde com a Siciliana, e a versão com 2.Cf3 e6 lhe rendeu 10,0% em 5 partidas. Cinco partidas são pouco, e o dossiê marca confiança baixa — mas a seção de contas online mostra o mesmo buraco em outra amostra, e duas amostras independentes apontando para o mesmo lugar valem mais que uma.
Pham Le Thao Nguyen, a primeira do elenco com 2348, tem o perfil mais equilibrado: 57,5% de brancas e 52,5% de pretas, 20 partidas de cada. Contra 1.e4 ela cai para 40,0% em 10, e a Caro-Kann que responde em 6 delas rende 41,7%, com três derrotas. De brancas, depois de 1.d4 Cf6 ela faz 50,0% em 13, abaixo dos 60,5% de quando abre 1.d4; 1.d4 d5 lhe dá 83,3% em 6. Quem tiver as pretas contra ela encontra mais resistência depois de 1...d5 do que depois de 1...Cf6.
Nguyen Thi Mai Hung joga mais fora da Olimpíada do que as colegas — Biel, Doeberl Cup e o Open de Melbourne, em 36 das 39 partidas — e é a que tem os números mais medianos: 54,8% de brancas, 44,4% de pretas. Contra 1.e4 faz 38,9% em 9, quase sempre com a Francesa, que lhe rende 42,9% em 7. A Eslava lhe deu 20,0% em 5, amostra pequena.
Vo Thi Kim Phung e Bach Ngoc Thuy Duong têm os números mais bonitos e as amostras mais estreitas. Bach faz 77,8% em 9 partidas de brancas e 64,3% em 7 de pretas; Vo, 64,3% e 56,2%. Tudo isso vem de duas Olimpíadas, onde uma parte das rodadas é contra times muito mais fracos. O único recorte que o dossiê consegue registrar é o de Bach na Nimzo-Índia, 66,7% em 6, abaixo da média dela de brancas — e continua sendo um número alto.
Onde a engine encontra os erros
Em que fase da partida os tajiques e as vietnamitas mais perdem avaliação?
Nas 12 partidas mais recentes de cada atleta, medidas com Stockfish 19 em profundidade 16, os dez adversários ficam entre 5 e 9 centipeões por lance na abertura. A diferença aparece no meio-jogo: Muhammad Khusenkhojaev e Mekhriddin Sharifov perdem 42 e 41. Na rodada 6, disputada hoje, dois tajiques salvaram com empate finais que a tablebase dá como resolvidos — um ganho, outro perdido.
A tabela traz a perda média de avaliação por lance em cada fase, com o número de lances medidos ao lado. A coluna da abertura é a mais uniforme dos dois elencos, de 5 a 9, e confirma o que o repertório já dizia: são jogadores preparados, que chegam ao meio-jogo sem ter perdido nada. O meio-jogo é outra conversa. Sharifov perde 41 centipeões por lance em 368 lances, a maior base de meio-jogo do confronto, e Muhammad Khusenkhojaev, 42 em 221. Jaloliddin Ilkhomi e Pham Le Thao Nguyen ficam em 21, os mais limpos da fase.
O erro mais caro da amostra foi jogado hoje. Na rodada 6, contra David Navara, Mekhriddin Sharifov chegou a um final de torre contra três peões com o rei em e4 e o peão em h5. A tablebase do Lichess, que dá o resultado exato até sete peças, diz que a posição era ganha e que quatro lances ganhavam — 64...h4, 64...Tf1, 64...Ta5 e 64...Re5. Sharifov jogou 64...Rf4, que a mesma tablebase dá como empate, e a partida terminou empatada. Em julho, no Open de Oskemen, ele tinha +5,25 contra Assel Serikbay e jogou 51...Bc3: a avaliação foi a −9,70 e ele perdeu.
No mesmo match, Jaloliddin Ilkhomi fez o caminho inverso. Contra Nguyen Thai Dai Van, num final de torre contra torre e dois peões que a tablebase dá como empatado, ele jogou 74.Ra4 e entrou numa posição perdida — com mate em 57 lances pela tablebase. O adversário não encontrou o caminho e a partida terminou empatada. Na rodada 3, contra a Líbia, a história foi parecida: 46...Te2+ levou a avaliação de −0,31 para −3,53 na medição em profundidade 24, e Ilkhomi empatou. Em Oskemen, em julho, ele largou duas vantagens de cinco peões — 41...Txa2 contra Aziz Degenbaev, que acabou em empate, e 60.Rb3 contra Erasyl Zhakan, que ele venceu assim mesmo.
Do lado vietnamita, o padrão é de vantagem que escapa. Contra Niina Koskela, da Noruega, na rodada 5 desta Olimpíada, Luong Phuong Hanh tinha +6,77 quando jogou 25...Bh2+, e a avaliação foi a zero; ela venceu mesmo assim. No Campeonato Asiático Feminino de 2026, contra Zol-Uchral Erdenesaikhan, tinha +5,20 e jogou 42...De3: a avaliação foi a −6,14 e ela perdeu. Nguyen Thi Mai Hung empatou com o GM Diptayan Ghosh em Biel depois de dois lances que a engine dá como perdedores, 52...h4 e 60...a3 — o segundo levou a avaliação de −0,15 a −10,73. Pham Le Thao Nguyen perdeu para Srija Seshadri, no Asiático de 2025, depois de 70.Ta8, que levou um final de −0,64 para −5,34.
Os números altos da tabela nem sempre descrevem erro. Os finais de Amin Kabilov (43 centipeões em 156 lances) e de Luong Phuong Hanh (46 em 111) são os mais caros do confronto, e a remedição mostra por quê: os três piores momentos de Kabilov e os dois piores de Luong foram jogados em posições que já estavam perdidas, várias delas com mate anunciado. O mesmo vale para Vo Thi Kim Phung, cujos cinco piores momentos estão todos em posição decidida. É o padrão que se repete a cada rodada desta série: em profundidade 16, posição resolvida rende perdas de milhares de centipeões por lances que não mudam nada, e os erros que mudaram resultado apareceram com perdas modestas.
A contagem de blunders não vai para a tabela pelo mesmo motivo: a classificação usa a perda sem teto, e um jogador perdido que escolhe o mate mais rápido para o adversário soma blunder sem ter mudado nada. A perda média por lance limita cada avaliação a mil centipeões e não sofre do mesmo problema.
| Seção | Atleta | Abertura | Meio-jogo | Final |
|---|---|---|---|---|
| Absoluto (Tajiquistão) | FM Mekhriddin Sharifov | 6 (101) | 41 (368) | 25 (127) |
| Absoluto (Tajiquistão) | IM Muhammad Khusenkhojaev | 8 (103) | 42 (221) | 23 (284) |
| Absoluto (Tajiquistão) | IM Mustafokhuja Khusenkhojaev | 5 (94) | 30 (234) | 16 (230) |
| Absoluto (Tajiquistão) | IM Jaloliddin Ilkhomi | 7 (101) | 21 (213) | 18 (301) |
| Absoluto (Tajiquistão) | FM Amin Kabilov | 8 (102) | 34 (350) | 43 (156) |
| Feminino (Vietnã) | IM Pham Le Thao Nguyen | 6 (102) | 21 (300) | 24 (142) |
| Feminino (Vietnã) | WGM Vo Thi Kim Phung | 6 (101) | 34 (274) | 24 (248) |
| Feminino (Vietnã) | WGM Nguyen Thi Mai Hung | 9 (102) | 30 (342) | 14 (61) |
| Feminino (Vietnã) | WGM Luong Phuong Hanh | 9 (102) | 33 (306) | 46 (111) |
| Feminino (Vietnã) | WIM Bach Ngoc Thuy Duong | 6 (102) | 25 (283) | 24 (147) |
O que as contas online mostram, e o que elas não mostram
O repertório de blitz e rápidas dos adversários do Brasil diz a mesma coisa?
Os dez adversários têm conta do Chess.com comprovada, e quatro têm amostra nos últimos 90 dias: Nguyen Thi Mai Hung (300 partidas), Pham Le Thao Nguyen (298), Luong Phuong Hanh (287) e Jaloliddin Ilkhomi (32). Em duas delas o online confirma o clássico: Luong faz 23,5% em 17 partidas com a Siciliana de 2...e6, e Pham, 0,0% em 6 na Caro-Kann com 3.exd5.
Esta seção responde a outra pergunta que a anterior, e por isso fica separada. O repertório de blitz e rápidas costuma ser mais largo do que o clássico, e o que uma pessoa joga com três minutos não é o que ela prepara para uma partida de cinco horas. Serve para saber o que ela conhece e onde se sente desconfortável, não o que ela vai jogar na quarta-feira.
O caso mais útil é o de Luong Phuong Hanh. Na conta amylazy, com título WGM verificado pela plataforma, ela jogou 287 partidas em 90 dias e fez 35,4% de brancas e 37,0% de pretas. Na Siciliana aberta que ela joga com 2...e6, 1.e4 c5 2.Cf3 e6 3.d4 cxd4 4.Cxd4, fez 23,5% em 17 partidas, o que o dossiê marca como confiança alta. É a mesma estrutura em que ela fez 10,0% em 5 partidas clássicas. Duas amostras, dois ritmos e o mesmo resultado não provam que ela vai perder de novo, mas dizem que ali ela não está em casa.
Pham Le Thao Nguyen, na conta fh2411, repete a Caro-Kann que joga no tabuleiro: é a abertura de pretas mais frequente dela em 298 partidas online. Contra a variante das trocas, com 3.exd5, fez 0,0% em 6. No clássico, a Caro-Kann lhe rende 41,7% em 6. De brancas ela abre 1.d4 em 136 das 147 partidas online, e o dossiê registra 27,8% em 18 depois de 1.d4 Cf6 2.Cf3 d5.
Nguyen Thi Mai Hung joga online no mesmo nível do tabuleiro, 54,3% de brancas e 46,6% de pretas em 300 partidas, e abre 1.d4 em 149 das 151 de brancas — a fidelidade ao primeiro lance vale também para a blitz. Jaloliddin Ilkhomi tem 32 partidas, com 47,1% de brancas e 46,7% de pretas: amostra pequena para linha, suficiente para dizer que ele abre 1.d4 também na internet, em 15 das 17. Bach Ngoc Thuy Duong tem 2 partidas na janela, e duas partidas não são amostra.
Cinco adversários têm conta comprovada e nenhuma partida nos últimos 90 dias — Mustafokhuja e Muhammad Khusenkhojaev, Mekhriddin Sharifov, Amin Kabilov e Vo Thi Kim Phung, cuja conta está sem atividade desde 2022. A conta existe e está parada, o que é diferente de a conta não existir. A de Sharifov declara a Palestina como país, contra o cadastro FIDE tajique; entrou porque a página de jogador do Chess.com, que liga o atleta à conta, aponta para ela.
O que observar na rodada 7
O que o dossiê sugere para o Brasil na rodada 7?
Nos dois confrontos o Brasil pode contar com 1.d4 das brancas adversárias, com exceção de Mekhriddin Sharifov. No absoluto, a aresta mais repetida é 1.d4 Cf6 2.c4 e6, em que três tajiques pontuam abaixo da própria média. No feminino, a linha mais sustentada é a Siciliana com 2...e6 de Luong Phuong Hanh, que rende pouco a ela no clássico e no online.
A pergunta prática do absoluto é a defesa contra 1.d4, e o dossiê responde com uma direção, não com uma variante: as pretas que vão para 2...e6 e aceitam o jogo do Catalão encontram os tajiques abaixo da média, e 3...c5 depois de 3.g3 é onde Mustafokhuja e Ilkhomi pontuam menos. Com as brancas, o alvo é Ilkhomi, que faz 32,0% em 25 partidas contra 1.e4. Muhammad Khusenkhojaev é o aviso: os 69,8% de pretas dele parecem assustadores e vêm, em boa parte, de adversários 150 pontos mais fracos.
No feminino o Brasil é o time de rating mais baixo, e o dossiê não muda isso. O que ele oferece são dois pontos concretos. Contra Luong Phuong Hanh, 1.e4 leva à Siciliana com 2...e6 que falha nas duas amostras dela; contra Pham Le Thao Nguyen, a Caro-Kann rende pouco a ela no clássico e nada nas trocas online. Os dois são indícios de cinco a dezessete partidas — suficientes para escolher uma abertura na véspera, não para prometer resultado.
Quando a rodada começar e o PGN oficial trouxer a escalação, o arquivo de dossiê desta matéria passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida de cada mesa, sem que o texto precise mudar. Até lá, o que está aqui é o elenco inteiro. Dez adversários, 270 partidas de brancas e cinco lances de 1.e4: poucas vezes a véspera de uma rodada tem uma pergunta tão bem definida.
Perguntas frequentes
De onde vêm os dados do dossiê dos adversários do Brasil?
Das partidas clássicas presenciais transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID — 528 partidas nos dois elencos, 363 tajiques e 165 vietnamitas. Sobre elas rodam o repertório por cor, as linhas em que o adversário pontua abaixo da própria média e, nas 12 partidas mais recentes, o perfil de erros medido com Stockfish 19 em profundidade 16, com cada lance citado remedido em profundidade 24 e os finais de até sete peças conferidos na tablebase. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas e fica numa seção separada.
Os percentuais do dossiê são do Brasil ou do adversário?
Do adversário, sempre. Quando o texto diz que Luong Phuong Hanh faz 10,0% em 5 partidas com a Siciliana de 2...e6, o número é o aproveitamento dela naquela linha: quanto menor, melhor para quem a enfrenta. O mesmo vale para as colunas de brancas e pretas da tabela de elencos.
Por que a matéria não diz quem joga em cada tabuleiro?
Porque a escalação de cada equipe só é publicada no PGN oficial na hora em que a rodada começa. O emparceiramento entre as equipes sai antes, no chess-results, e é o que permite escrever o dossiê na véspera. Como quase sempre entram quatro dos cinco inscritos, cobrir o elenco inteiro resolve: quando a escalação sair, o arquivo de dossiê ligado a esta matéria passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida da rodada.
Por que um percentual alto na tabela pode não significar força?
Porque o aproveitamento depende de contra quem ele foi obtido. Muhammad Khusenkhojaev faz 69,8% com as pretas em 43 partidas, mas contra adversários com rating médio de 2259, cerca de 150 pontos abaixo do dele; Luong Phuong Hanh faz 30,4% com as pretas contra oposição do próprio nível. O primeiro número descreve o calendário, e o segundo descreve a jogadora. Por isso o texto diz a força da oposição quando ela muda a leitura da tabela.
Histórico de atualizações
- 2026-09-21 — Publicação inicial, com o emparceiramento da rodada 7 conferido no chess-results e a rodada ainda por jogar: repertório das 528 partidas clássicas transmitidas pelo Lichess, perfil de erros com Stockfish 19 em profundidade 16 e repertório de blitz e rápidas das contas comprovadas. Os dossiês saem sobre o elenco inteiro dos dois adversários; quando a escalação sair, o mesmo arquivo passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida da rodada.
- 2026-09-29 — A Olimpíada terminou em 27 de setembro: o Uzbequistão ganhou o aberto e a China o feminino. Esta cobertura deixou de ser atualizada; o resultado final está na notícia de classificação.
Fontes
- 46th Chess Olympiad Samarkand 2026, Open — emparceiramento da rodada 7 — Chess-Results
- 46th Chess Olympiad Samarkand 2026, Women — emparceiramento da rodada 7 — Chess-Results
- David Navara x Mekhriddin Sharifov, rodada 6 — partida transmitida — Lichess
- Luong Phuong Hanh (amylazy) — perfil titulado que comprova a conta usada no repertório online — Chess.com
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