Adversários do Canadá na rodada 5 da Olimpíada: como jogam a Espanha e a Costa Rica
As cinco costarriquenhas abrem 1.e4, e duas delas em cem por cento das partidas de brancas. A uniformidade tem preço: contra três das cinco, o dossiê recomenda exatamente o mesmo lance de resposta.
17 min de leitura · Publicado em 2026-09-19 · Atualizado em 2026-09-29
Resposta direta
Na rodada 5 da 46ª Olimpíada de Xadrez, em 20 de setembro de 2026, o Canadá enfrenta a Espanha na mesa 10 do absoluto e a Costa Rica na mesa 29 do feminino. Esta matéria mostra, a partir das 841 partidas clássicas transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, o repertório de cada atleta dos dois elencos, as linhas em que cada um pontua abaixo da própria média, onde a engine encontra mais erros — com os lances citados remedidos em profundidade 24 — e o que as contas online comprovadas mostram, inclusive a que ficou de fora.
Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE
Como isto foi apurado: Apurado em 19 de setembro de 2026, com a rodada 4 encerrada e a rodada 5 ainda por jogar: ela começa em 20 de setembro, às 15h de Samarcanda (10h UTC). O emparceiramento foi conferido no chess-results; o PGN oficial com a escalação de cada equipe só sai na hora da rodada, e por isso este dossiê cobre o elenco inteiro dos dois adversários, e não os quatro tabuleiros. O repertório usa as partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID e sem as partidas da própria rodada 5: 458 partidas nos cinco espanhóis (76 a 118 por atleta) e 383 nas cinco costarriquenhas (26 a 131). Partidas de xadrez aleatório ficaram de fora da amostra clássica a partir desta rodada. O perfil de erros foi medido com Stockfish 19, profundidade 16, sobre as 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, e os lances citados no texto foram remedidos em profundidade 24, com busca dedicada. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas uma a uma, dos últimos 90 dias; três dos dez atletas têm partidas na janela, e Daniil Yuffa ficou de fora por falta de comprovação da conta.
O essencial em poucas linhas
- Na rodada 5, em 20 de setembro de 2026, o Canadá enfrenta a Espanha na mesa 10 do absoluto e a Costa Rica na mesa 29 do feminino, com os mesmos pontos de match nos dois confrontos.
- Quatro das cinco costarriquenhas abrem 1.e4 em 94% ou mais das partidas de brancas, e duas delas em 100%. Contra três das cinco, o dossiê recomenda 1.d4: 41,7% em 18 partidas, 40,9% em 11 e 36,4% em 11.
- David Antón Guijarro e Maksim Chigaev cedem no mesmo lugar, os jogos abertos: depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6, ele faz 25,0% em 10 partidas e Chigaev, 28,6% em 7. A queda de Antón é a maior da rodada, quase 35 pontos percentuais.
- Daniil Yuffa tem a aresta mais bem amostrada do lado espanhol — 37,5% em 16 partidas contra 1.d4, com confiança alta — e é justamente quem ficou sem seção online, porque a conta dele não passou no critério de comprovação.
- Jaime Santos Latasa tem a menor perda por lance da rodada inteira, 12 centipeões, com 6 no final. No outro extremo, o final de María Elena Rodríguez Arrieta custa 51.
- Os números são do ponto de vista do adversário e valem como tendência: amostras de 26 a 131 partidas, perfil de erros sobre 12 partidas por atleta, e cada percentual vem com o número de partidas atrás dele.
O quadro da rodada 5
Quem o Canadá enfrenta na rodada 5 da Olimpíada de Xadrez de 2026?
A Espanha na mesa 10 do absoluto e a Costa Rica na mesa 29 do feminino. A rodada começa em 20 de setembro de 2026, às 15h de Samarcanda. Nenhuma das escalações é conhecida até o PGN oficial sair, na hora da rodada, e por isso o dossiê cobre os cinco atletas de cada elenco adversário: David Antón Guijarro, Maksim Chigaev, Jaime Santos Latasa, Alexei Shirov e Daniil Yuffa pela Espanha; Sofía Mayorga Araya, Valentina Campos Muñoz, María Elena Rodríguez Arrieta, Olga Leticia Gamboa Alvarado e Victoria Canales Chinchilla pela Costa Rica.
O Canadá chega com 6 pontos de match no absoluto, depois de bater o Kosovo por 3 a 1, e com 5 no feminino, depois do 2 a 2 com a Bolívia. Os dois adversários têm os mesmos pontos de match, e o Canadá está à frente no desempate por pontos de partida nos dois: 12 a 11 contra a Espanha e 11,5 a 9 contra a Costa Rica.
Os dois confrontos dificilmente poderiam ter formatos mais diferentes. A Espanha escala cinco grandes mestres, todos entre 2570 e 2632 — a faixa de rating mais estreita que o Canadá enfrentou nesta Olimpíada. As cinco da Costa Rica se espalham por 352 pontos, de 2189 a 1837. Um confronto é um muro de iguais; o outro é uma escada.
A Espanha é também o único adversário do Canadá cuja bandeira já apareceu nesta série. A equipe feminina espanhola enfrentou os Estados Unidos na rodada 4 — outro elenco inteiramente, e é por isso que nenhum dos nomes abaixo vem daquele dossiê.
A coluna de amostra diz quanto de cada dossiê se sustenta. Daniil Yuffa traz 118 partidas clássicas e Sofía Mayorga Araya, 131, as duas maiores daqui; Olga Leticia Gamboa Alvarado tem 26, a menor do confronto e a única perto da linha em que o dossiê passa a marcar baixa confiança. Os totais são 458 partidas na Espanha e 383 na Costa Rica, todas presenciais e transmitidas publicamente pelo Lichess nos últimos três anos.
| Seção | Atleta | Rating | Amostra | De brancas | De pretas |
|---|---|---|---|---|---|
| Absoluto (Espanha) | GM David Antón Guijarro | 2632 | 78 | 68,9% em 37 | 59,8% em 41 |
| Absoluto (Espanha) | GM Maksim Chigaev | 2629 | 86 | 68,2% em 44 | 51,2% em 42 |
| Absoluto (Espanha) | GM Jaime Santos Latasa | 2615 | 80 | 73,8% em 40 | 61,2% em 40 |
| Absoluto (Espanha) | GM Alexei Shirov | 2603 | 76 | 60,0% em 40 | 55,6% em 36 |
| Absoluto (Espanha) | GM Daniil Yuffa | 2570 | 118 | 65,6% em 61 | 52,6% em 57 |
| Feminino (Costa Rica) | WIM Sofía Mayorga Araya | 2189 | 131 | 63,6% em 66 | 53,1% em 65 |
| Feminino (Costa Rica) | WCM Valentina Campos Muñoz | 1986 | 94 | 64,6% em 48 | 51,1% em 46 |
| Feminino (Costa Rica) | WIM María Elena Rodríguez Arrieta | 1963 | 67 | 62,9% em 35 | 46,9% em 32 |
| Feminino (Costa Rica) | WFM Olga Leticia Gamboa Alvarado | 1904 | 26 | 59,1% em 11 | 40,0% em 15 |
| Feminino (Costa Rica) | WCM Victoria Canales Chinchilla | 1837 | 65 | 67,2% em 32 | 40,9% em 33 |
Espanha: cinco grandes mestres, dois deles incomodados nos jogos abertos
Como pontuam os espanhóis no dossiê da Olimpíada de 2026?
David Antón Guijarro e Maksim Chigaev dividem a mesma linha fraca, e ela é a abertura mais antiga do livro: depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6, Antón faz 25,0% em 10 partidas com as pretas, e Chigaev, 28,6% em 7. Daniil Yuffa tem a maior amostra do elenco, 118 partidas, e entrega 37,5% em 16 contra 1.d4, com confiança alta. Jaime Santos Latasa é o que mais pontua de brancas, com 73,8%. Contra Alexei Shirov o dossiê não encontra aresta nenhuma.
A coincidência entre Antón Guijarro e Chigaev é a coisa mais citável do lado espanhol deste dossiê, e precisa ser dita com cuidado. Os dois são atingidos no mesmo lugar — os jogos abertos, 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 — e nos dois casos contra a própria média: Antón com 25,0% em 10 partidas, contra 59,8% de média com as pretas; Chigaev com 28,6% em 7, contra 51,2%. A de Antón é a maior queda da rodada inteira, quase 35 pontos percentuais, e as duas estão marcadas com confiança média. Dois jogadores não são um padrão, mas são o tipo de coisa que um capitão de equipe confere duas vezes.
Daniil Yuffa é o espanhol mais bem documentado, com 118 partidas, e aquele cuja aresta é mais bem amostrada: contra 1.d4 ele faz 37,5% em 16 partidas, contra os próprios 52,6% com as pretas, e com confiança alta. É também o primeiro lance mais variado do elenco, dividindo as brancas entre 1.c4 em 24 partidas, 1.Cf3 em 17 e 1.d4 no resto — e depois de 1.Cf3 ele cai para 44,4% em 9 quando a resposta é 1...d5.
Jaime Santos Latasa tem os números de brancas mais fortes do confronto, 73,8% em 40 partidas, e o dossiê quase não tem o que dizer contra ele: o melhor que oferece é 1.c4, que lhe rendeu 33,3% em 3 partidas — três partidas, confiança baixa, e isso não é plano. Com as pretas contra o 1.e4 dele o registro é um pouco melhor amostrado: 1...e5 o segurou em 57,1% em 7.
Alexei Shirov, aos 53 anos, é o jogador daqui que menos precisa de apresentação e cujo dossiê menos diz. Em 76 partidas ele não tem primeiro lance que bata a própria média de pretas — contra 1.e4 ele faz 61,1% em 18 partidas, acima dos seus 55,6% — e de brancas divide 1.e4 em 26 partidas e 1.d4 em 12, com 59,6% e 70,8%. Um dossiê que não aponta nada não é um dossiê fracassado; é um dossiê dizendo que o adversário está sólido nas duas cores.
Costa Rica: as cinco abrem 1.e4, e o dossiê responde 1.d4
Qual é o padrão no repertório da equipe feminina da Costa Rica?
Quatro das cinco abrem 1.e4 em quase todas as partidas de brancas: María Elena Rodríguez Arrieta e Victoria Canales Chinchilla em 100% das suas, Sofía Mayorga Araya em 64 de 66 e Valentina Campos Muñoz em 45 de 48. E contra três delas a resposta do dossiê é o mesmo lance — 1.d4 segurou Mayorga Araya em 41,7% em 18 partidas, Campos Muñoz em 40,9% em 11 e Rodríguez Arrieta em 36,4% em 11.
Um elenco em que quatro de cinco atletas abrem o mesmo lance em 94% das partidas ou mais não é coincidência de gosto, e a imagem espelhada dessa uniformidade é o que torna esta seção incomum: contra três dessas quatro, a recomendação também é o mesmo lance. Preparar este confronto com as peças brancas custa ao Canadá uma linha de estudo repetida três vezes, o que quase nunca acontece.
Sofía Mayorga Araya é o primeiro tabuleiro do elenco e a maior amostra dele, 131 partidas — mais do que qualquer espanhol do outro confronto. Abriu 1.e4 em 64 das 66 partidas de brancas e pontua 63,6% com elas, contra 53,1% com as pretas. A aresta contra ela é a mais bem amostrada dos dois confrontos: 1.d4 a segurou em 41,7% em 18 partidas, com confiança alta. E com as pretas contra o 1.e4 dela, 1...e5 a segurou em 50,0% em 15, também com confiança alta — duas linhas utilizáveis sobre a mesma jogadora, o que é raro.
Valentina Campos Muñoz e María Elena Rodríguez Arrieta repetem o desenho com amostras menores. Campos Muñoz abre 1.e4 em 45 de 48 e entrega 40,9% em 11 partidas contra 1.d4; Rodríguez Arrieta abriu 1.e4 nas 35 partidas de brancas que tem e entrega 36,4% em 11. Contra o 1.e4 de Rodríguez Arrieta, a Caro-Kann está registrada com 40,0%, mas em apenas 5 partidas, o que o dossiê marca como confiança baixa e este texto repete pelo mesmo motivo.
As duas do fim da lista de rating são as que o dossiê trata com mais cuidado. Victoria Canales Chinchilla também abriu 1.e4 nas 32 partidas de brancas que tem, e pontua 67,2% com elas contra 40,9% com as pretas — a maior diferença entre cores do confronto. Olga Leticia Gamboa Alvarado é a exceção ao primeiro lance do elenco, abrindo 1.d4 em 7 das suas 11 partidas de brancas, e tem 26 partidas no total. É a menor amostra da rodada, e é por isso que nenhuma linha fraca dela aparece aqui.
Onde a engine encontra os erros
Em que fase da partida os espanhóis e as costarriquenhas mais perdem?
Nas 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, medidas com Stockfish 19 em profundidade 16, Jaime Santos Latasa tem o menor valor geral da rodada inteira, 12 centipeões por lance, com 6 no final. David Antón Guijarro vem logo atrás, com 14, e também 7 no final. Do outro lado, Victoria Canales Chinchilla está em 40, e o final de María Elena Rodríguez Arrieta é o mais caro da rodada, com 51.
A tabela traz a perda média por lance em cada fase. A coluna da abertura vai de 5 a 10 nos dez atletas e, como sempre, descreve preparação mais do que jogo. O que acontece depois separa estes dois elencos com mais nitidez do que em qualquer outro confronto desta rodada.
Os finais espanhóis são a história. Santos Latasa com 6 e Antón Guijarro com 7 são os dois números de final mais limpos de toda a série até aqui, e não estão apoiados em amostras minúsculas — 175 e 87 lances de final, respectivamente. Chigaev, Shirov e Yuffa ficam em 27, 29 e 29, o que é comum para grandes mestres nesta amostra. Vale dizer com todas as letras que uma janela de 12 partidas é uma janela: estes números descrevem um período recente, não uma propriedade permanente, e cinco centipeões entre dois nomes não significam nada.
Do lado costarriquenho os valores são uniformemente mais altos, que é a aparência de uma diferença de 350 pontos de rating quando medida em centipeões em vez de em resultados. O que vale isolar é o de Rodríguez Arrieta: 41 no meio-jogo e 51 no final, em 102 lances de final. É o final mais caro da rodada e, ao contrário de alguns números altos desta mesma série, ele não se dissolve quando examinado — os piores momentos dela estão espalhados por partidas, e não concentrados numa posição já decidida.
Essa distinção importa mais do que parece. Na remedição desta rodada em profundidade 24, vários dos lances mais caros apontados em profundidade 16 estavam em posições já ganhas ou já perdidas, em que uma régua rasa cobra fortunas por lances que não mudam resultado nenhum. Nenhum pior momento chega a este texto sem passar por essa conferência.
A contagem de blunders fica fora da tabela pelo motivo aparentado: a classificação usa a perda sem teto, então um jogador já ganho que escolhe um mate mais demorado acumula um blunder por um lance que não muda nada. O ACPL limita cada avaliação a mil centipeões e não sofre disso.
| Atleta | Abertura | Meio-jogo | Final | Geral |
|---|---|---|---|---|
| GM David Antón Guijarro | 5 | 19 | 7 | 14 |
| GM Maksim Chigaev | 7 | 23 | 27 | 21 |
| GM Jaime Santos Latasa | 6 | 18 | 6 | 12 |
| GM Alexei Shirov | 5 | 20 | 29 | 19 |
| GM Daniil Yuffa | 7 | 15 | 29 | 18 |
| WIM Sofía Mayorga Araya | 6 | 42 | 37 | 35 |
| WCM Valentina Campos Muñoz | 9 | 30 | 34 | 26 |
| WIM María Elena Rodríguez Arrieta | 7 | 41 | 51 | 36 |
| WFM Olga Leticia Gamboa Alvarado | 10 | 39 | 41 | 33 |
| WCM Victoria Canales Chinchilla | 9 | 50 | 45 | 40 |
O repertório online, e a conta que ficou de fora
O que as contas online comprovadas acrescentam a este dossiê?
Três dos dez atletas têm conta do Chess.com comprovada com partidas nos últimos 90 dias: David Antón Guijarro (300), Jaime Santos Latasa (152) e Maksim Chigaev (25). A conta comprovada de Alexei Shirov não tem partidas na janela. As três contas costarriquenhas que passaram no critério estão igualmente vazias no período. E Daniil Yuffa — a maior amostra clássica do confronto — não tem seção online nenhuma, porque a conta dele não pôde ser comprovada no padrão que esta série usa.
O caso de Yuffa merece explicação, porque deixar um jogador de fora é uma decisão, e decisões devem ser mostradas. Existe uma conta do Chess.com com o nome exato dele e título de GM verificado pela plataforma, e existe exatamente um GM no mundo chamado Daniil Yuffa. O que não bate é o país: o perfil declara Rússia, e o cadastro FIDE dele é espanhol. Ele é russo-espanhol e transferiu de federação, então a divergência tem explicação inocente — mas explicação inocente não é comprovação, e não se achou fonte oficial ligando aquela conta à pessoa. A regra desta série é que conta duvidosa não entra, porque atribuir a conta errada publica o repertório de um desconhecido com o nome de um atleta.
Para comparação, a conta que entrou com uma comprovação fora do comum é a de Alexander Donchenko, no dossiê americano desta mesma rodada: o perfil dele também declara o país errado, mas a página de jogador do próprio Chess.com linka a conta de membro, e uma plataforma avalizando o próprio usuário é evidência de outra ordem que um nome que por acaso coincide.
O que as três contas utilizáveis mostram é atualidade, não surpresa. As 300 partidas de Antón Guijarro pendem para o peão do rei dos dois lados — a Siciliana é a abertura que ele mais joga de brancas, com 11 partidas, e as duas primeiras dele de pretas são aberturas de peão do rei, com 25 e 9 partidas. As 152 de Santos Latasa pendem para o outro lado, com estruturas indianas e de peão da dama no topo da lista de brancas. Chigaev tem 25 partidas, uma amostra que o próprio dossiê trata como magra, e ela está citada aqui só com esse rótulo colado.
Nada disso é somado aos números clássicos. São partidas de blitz e rápidas, e numa partida clássica de Olimpíada, com 90 minutos e incremento, o repertório que conta é o do tabuleiro. O registro online está aqui porque responde a outra pergunta — o que alguém joga quando não há nada em jogo — e porque dizer isso sai mais barato do que fingir que as duas coisas são a mesma.
O que observar na rodada 5
O que o dossiê sugere para as equipes canadenses na rodada 5?
No confronto feminino, 1.d4 é a preparação mais reaproveitável da rodada: é o lance recomendado contra três das cinco costarriquenhas, com 41,7% em 18 partidas, 40,9% em 11 e 36,4% em 11. No absoluto, os dois espanhóis que cedem nos jogos abertos são Antón Guijarro, com 25,0% em 10, e Chigaev, com 28,6% em 7. Contra Shirov o dossiê não encontra nada.
Vale separar o que o dossiê faz do que ele não faz. Ele mostra onde o adversário pontuou abaixo da própria média recente, com o tamanho da amostra ao lado. Não diz no que os canadenses são bons, não mede a forma de ninguém nesta semana e não prevê resultado. As duas coisas só se encontram quando a linha em que o adversário pontua menos é também uma que o nosso lado quer jogar.
O confronto feminino é o incomum. A uniformidade da Costa Rica no primeiro lance faz com que a preparação canadense de pretas convirja para um único lance a enfrentar, e a de brancas, para um único lance a jogar. Sofía Mayorga Araya é a única das cinco contra quem o dossiê oferece linha com confiança alta nas duas cores: 1.d4 com as brancas e 1...e5 contra o 1.e4 dela com as pretas, com 50,0% em 15 partidas.
No absoluto, o resumo honesto é que cinco grandes mestres dentro de 62 pontos de rating não deixam muito sobre a mesa. Os 37,5% de Yuffa contra 1.d4, em 16 partidas com confiança alta, são a aresta mais bem amostrada; os números de jogos abertos de Antón Guijarro e Chigaev são quedas maiores em amostras menores. Santos Latasa, com a melhor pontuação de brancas do elenco e a menor perda por lance da rodada, é o tabuleiro em que o dossiê está mais calado — o que, num confronto de iguais, é um aviso à sua maneira.
Uma ressalva para fechar. São dois confrontos com os mesmos pontos de match, e dossiê descreve passado recente, não o tabuleiro de amanhã. Na rodada 4 o Canadá bateu o Kosovo por 3 a 1 no absoluto e empatou em 2 a 2 com a Bolívia no feminino, e nenhum dos dois resultados estava escrito nos números antes — porque não é para isso que eles servem.
Perguntas frequentes
De onde vêm os dados deste dossiê?
Das partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID — 841 partidas nos dois elencos. Sobre elas rodam o repertório por cor, as linhas em que o adversário pontua abaixo da própria média e, nas 12 partidas mais recentes, o perfil de erros medido com Stockfish 19 em profundidade 16. O repertório de blitz e rápidas vem de contas do Chess.com comprovadas e fica numa seção separada.
Os percentuais são do Canadá ou do adversário?
Do adversário. Quando o texto diz que Sofía Mayorga Araya faz 41,7% em 18 partidas contra 1.d4, são os pontos dela nessas partidas. Percentual baixo é bom para quem a enfrenta.
Por que o dossiê cobre o elenco inteiro, e não os quatro tabuleiros?
Porque o emparceiramento sai antes da escalação. A tabela de confrontos da rodada 5 já estava publicada no chess-results quando esta matéria foi escrita, mas o PGN oficial, que é onde aparece quem joga em qual tabuleiro, só é publicado na hora da rodada. Em vez de adivinhar, o dossiê cobre os cinco atletas de cada elenco adversário e diz que a escalação ainda não é conhecida.
Por que Daniil Yuffa não tem repertório online nesta matéria?
Porque a conta dele não passou no critério de comprovação. Existe uma conta do Chess.com com o nome exato e título de GM verificado pela plataforma, mas o país declarado é a Rússia, e o cadastro FIDE dele é espanhol — ele é russo-espanhol e transferiu de federação. A divergência tem explicação inocente, e explicação inocente não é comprovação: sem fonte oficial ligando a conta à pessoa, ela não entra. Atribuir a conta errada publicaria o repertório de um desconhecido com o nome de um atleta.
Histórico de atualizações
- 2026-09-19 — Publicação inicial, com o emparceiramento da rodada 5 conferido no chess-results e a rodada ainda por jogar: repertório das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess, perfil de erros com Stockfish 19 em profundidade 16, lances citados remedidos em profundidade 24 e repertório de blitz e rápidas de contas online comprovadas. Os dossiês saem sobre o elenco inteiro dos dois adversários; quando a escalação sair, o mesmo arquivo passa a mostrar os quatro tabuleiros e a partida da rodada.
- 2026-09-29 — A Olimpíada terminou em 27 de setembro: o Uzbequistão ganhou o aberto e a China o feminino. Esta cobertura deixou de ser atualizada; o resultado final está na notícia de classificação.
Fontes
- 46th Chess Olympiad Samarkand 2026, Open — emparceiramento da rodada 5 — Chess-Results
- 46th Chess Olympiad Samarkand 2026, Women — emparceiramento da rodada 5 — Chess-Results
- Sofía Mayorga Araya — transmissões com o FIDE ID 6514065 — Lichess
- David Antón Guijarro (tptagain) — perfil titulado que comprova a conta usada no repertório online — Chess.com
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