Cobertura de torneio

Adversários dos EUA na rodada 4 da Olimpíada: como jogam a Ucrânia e a Espanha

Fabiano Caruana jogou 3.Bc4 contra Vasyl Ivanchuk, a linha em que Ivanchuk fez 33% dos pontos — em três partidas. Um dossiê com três partidas é uma pista, não um plano, e essa diferença importa mais do que o 1 a 0 que veio depois.

13 min de leitura · Publicado em 2026-09-19 · Atualizado em 2026-09-29

Resposta direta

Na rodada 4 da 46ª Olimpíada de Xadrez, em 19 de setembro de 2026, os Estados Unidos venceram a Ucrânia por 3,5 a 0,5 no absoluto e a Espanha por 3,5 a 0,5 no feminino. Esta matéria mostra, a partir das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, o repertório de cada adversário escalado, as linhas em que cada um pontua abaixo da própria média e onde a engine encontra mais erros, sempre com o tamanho da amostra ao lado.

Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE

Como isto foi apurado: Apurado em 19 de setembro de 2026, com a rodada 4 já encerrada: ela começou às 10h15 UTC. A coleta das partidas clássicas terminou às 14h37 UTC e o perfil de erros foi medido a partir das 22h09 UTC. Emparceiramento conferido no chess-results; escalações, ratings e títulos vêm do PGN oficial transmitido pelo Lichess. O repertório usa as partidas clássicas presenciais dos últimos três anos transmitidas pelo Lichess, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID e sem as partidas da própria rodada 4: 102, 158, 101 e 75 partidas para os quatro escalados ucranianos e 110, 128, 100 e 113 para as quatro espanholas. O perfil de erros foi medido com Stockfish 19, profundidade 16, sobre as 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta. Contas online não entram nesta versão. Placares finais da rodada 4 conferidos no PGN oficial às 22h35 UTC.

O essencial em poucas linhas

  • Na rodada 4 da Olimpíada de Samarcanda, em 19 de setembro de 2026, os Estados Unidos venceram a Ucrânia por 3,5 a 0,5 na mesa 44 do absoluto e a Espanha por 3,5 a 0,5 na mesa 12 do feminino.
  • A Ucrânia escalou quatro jogadores com amostras de 75 a 158 partidas clássicas transmitidas — o dossiê mais fundo da série até aqui.
  • Anton Korobov fez 70% dos pontos em 10 partidas da Italiana com 3.Bc4, mas 50% nas 4 que seguiram com 3...Bc5. Wesley So jogou 3...Bc5 e venceu.
  • A linha mais fraca de Ihor Samunenkov com as pretas é a própria defesa principal dele: 46% em 13 partidas da Petroff, contra 59% da própria média de pretas.
  • Marta Garcia Martin, da Espanha, fez 33% em 3 partidas contra a Índia do Rei com as brancas; Carissa Yip jogou a Índia do Rei e venceu.
  • Os números são do ponto de vista do adversário e valem como tendência: amostras de 75 a 158 partidas no absoluto e de 86 a 128 no feminino.

O quadro da rodada 4

Quem os Estados Unidos enfrentaram na rodada 4 da Olimpíada de Xadrez de 2026?

A Ucrânia na mesa 44 do absoluto, com Fabiano Caruana, Wesley So, Hans Niemann e Levon Aronian. A Espanha na mesa 12 do feminino, com Carissa Yip, Alice Lee, Irina Krush e Tatev Abrahamyan. Awonder Liang descansou no absoluto, e Rose Atwell no feminino.

Os Estados Unidos tinham mais rating nos oito tabuleiros, mas pelas menores margens da campanha até aqui: de 117 a 217 pontos no absoluto, de 90 a 166 no feminino. A Ucrânia poupou Igor Kovalenko, o mais bem classificado do elenco com 2642, e ainda assim escalou quatro jogadores acima de 2500.

A coluna de amostra é a mais funda que a série já teve. Anton Korobov tem 158 partidas clássicas transmitidas nos últimos três anos, Vasyl Ivanchuk 102, Ihor Samunenkov 101 e Roman Dehtiarov 75. Do lado espanhol, as quatro escaladas têm entre 100 e 128. Nada aqui se apoia em três ou quatro partidas, exceto onde o texto diz que sim.

Amostra funda não é o mesmo que informação funda. Ivanchuk empatou 32 das suas 52 partidas de pretas na amostra — um aproveitamento de 62% feito quase só de empates, o que diz como as partidas dele terminam e quase nada sobre onde elas saem do trilho.

Escalações da rodada 4, 19 de setembro de 2026 (PGN oficial). A amostra é o número de partidas clássicas presenciais do adversário nos últimos três anos.
Seção e tabuleiroEstados UnidosAdversárioAmostraResultado
Absoluto 1GM Fabiano Caruana (2789), brancasGM Vasyl Ivanchuk (2630)1021-0
Absoluto 2GM Wesley So (2774), pretasGM Anton Korobov (2610)1580-1
Absoluto 3GM Hans Niemann (2725), brancasGM Ihor Samunenkov (2608)101½-½
Absoluto 4GM Levon Aronian (2725), pretasGM Roman Dehtiarov (2508)750-1
Feminino 1IM Carissa Yip (2468), pretasIM Marta Garcia Martin (2349)1100-1
Feminino 2IM Alice Lee (2453), brancasIM Sabrina Vega Gutierrez (2363)1281-0
Feminino 3GM Irina Krush (2393), pretasIM Ann Matnadze (2302)100½-½
Feminino 4IM Tatev Abrahamyan (2347), brancasWGM Monica Calzetta Ruiz (2181)1131-0

Ucrânia: para onde apontam as amostras grandes

Como jogam os adversários dos EUA no absoluto da rodada 4?

Anton Korobov fez 70% em 10 partidas da Italiana com 3.Bc4, mas 50% nas 4 que seguiram com 3...Bc5, e 29% em 7 partidas contra a Francesa com as pretas. Ihor Samunenkov fez 46% em 13 partidas da Petroff, a própria defesa principal. Roman Dehtiarov fez 46% em 13 partidas depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 com as pretas. Vasyl Ivanchuk empata: 32 das 52 partidas de pretas.

Anton Korobov, tabuleiro 2, tem a maior amostra da série até aqui, e ela é detalhada o bastante para separar o tronco do galho. Com as brancas abre 1.e4 em 46 das 80 partidas e faz 71%; contra 1...e5 chega à Italiana com 3.Bc4 em 10 partidas, com 70%. As quatro que seguem com 3...Bc5 são outra história: 50%, uma vitória, dois empates e uma derrota. Com as pretas o buraco mais claro é a Francesa — 29% em 7 partidas, contra 62% da própria média — e a Siciliana com 2...e6 3.d4, com 50% em 7.

Ihor Samunenkov, tabuleiro 3, tem a única linha fraca desta rodada apoiada numa amostra digna do nome. Com as pretas faz 59% no geral, mas 46% em 13 partidas da Petroff, 1.e4 e5 2.Cf3 Cf6, que é a defesa que ele mais joga. A abertura dos cavalos com 2...Cc6 dá 42% em 6. O que ele quase não vê é 1.c4: três partidas na amostra, e nelas fez 83%.

Roman Dehtiarov, tabuleiro 4 e o de menor rating dos quatro, é o mais desigual: 76% de brancas em 35 partidas contra 56% de pretas em 40. O buraco das pretas é preciso — 46% em 13 partidas depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6. De brancas, a amostra de Siciliana é mínima: cinco partidas, com 90%, e nenhuma delas chegou à Rossolimo com 2...Cc6.

Vasyl Ivanchuk, tabuleiro 1, é o mais difícil de mapear dos quatro, e o motivo está na coluna de resultados. Com as pretas fez 62% em 52 partidas, com 16 vitórias, 32 empates e 4 derrotas. As linhas em que cai abaixo dessa média se apoiam todas em três ou quatro partidas: 33% em 3 depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4, 33% em 3 na Francesa, 50% em 4 na Índia do Rei. O dossiê marca todas como de baixa confiança, e este texto também.

Espanha: 1.e4 sem exceção e um problema na Rossolimo

Como jogam as adversárias dos EUA no feminino da rodada 4?

Sabrina Vega Gutierrez abriu 1.e4 nas 64 partidas de brancas e fez 37% em 15 delas depois de 1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 — a linha fraca de maior confiança desta rodada. Marta Garcia Martin fez 33% em 3 partidas contra a Índia do Rei. Monica Calzetta Ruiz fez 22% em 9 partidas de Siciliana com ...g6 cedo.

Sabrina Vega Gutierrez, tabuleiro 2, é a adversária mais previsível da rodada e a mais bem documentada: 1.e4 nas 64 partidas de brancas, dentro de uma amostra de 128. Depois de 1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 ela fez 37% em 15 partidas, contra 62% da própria média de brancas — a única linha fraca desta rodada que o dossiê marca como de alta confiança. Contra esse 1.e4, os adversários responderam 1...c5 em 36 das 64 partidas, e aí ela fez 54%, oito pontos abaixo da própria média.

Marta Garcia Martin, tabuleiro 1, espalha o primeiro lance: 1.e4 em 28 partidas, 1.d4 em 17, 1.c4 em 10 e 1.Cf3 em 5. A linha em que cai é a Índia do Rei — 33% em 3 partidas depois de 1.d4 Cf6 2.c4 g6, contra 61% no geral. São três partidas, e o dossiê diz baixa confiança. Com as pretas a divisão é mais nítida e mais bem documentada: 78% em 23 partidas contra 1.e4 e 47% em 16 contra 1.d4.

Monica Calzetta Ruiz, tabuleiro 4, é aquela cujos números dependem da ordem de lances. Depois de 1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 ela fez 69% em 8 partidas. Mas quando o fianchetto vem cedo — 1.e4 c5 2.Cf3 g6 — foram 22% em 9, com uma vitória, dois empates e seis derrotas. A mesma estrutura de peões, resultados opostos, e a diferença está em qual ordem de lances chega lá.

Ann Matnadze, tabuleiro 3, é a mais difícil de fixar: 69% de brancas em 51 partidas, 63% de pretas em 49 e nenhuma linha fraca acima de quatro partidas nas duas cores. Ela joga 1.d4 em 32 das 51, e nas 10 que seguem com 1...d5 jogou 2.c4 quatro vezes, 2.Cf3 quatro e 2.g3 duas. Ines Prado Acebo, que descansou, é a espanhola que o dossiê descreve melhor: 31% em 16 partidas de brancas depois de 1.d4 Cf6 2.c4 e6.

Onde a engine encontra os erros

Em que fase da partida os adversários dos EUA erram mais?

Nas 12 partidas clássicas mais recentes de cada atleta, medidas com Stockfish 19 em profundidade 16, os quatro ucranianos escalados ficam entre 13 e 19 centipeões de perda média por lance. Do lado espanhol, Sabrina Vega Gutierrez chega a 61 centipeões nos finais, em 202 lances medidos, e Monica Calzetta Ruiz a 46 no meio-jogo.

A tabela mostra a perda média por lance, o ACPL, em cada fase. Os números da Ucrânia são os mais baixos que a série mediu: Vasyl Ivanchuk fica em 13 centipeões no geral, com 4 na abertura, e os outros três ficam entre 17 e 19. É o que se espera de quatro jogadores acima de 2500, e é também o motivo pelo qual um dossiê de aberturas diz mais sobre eles do que um perfil de erros.

Com 12 partidas por atleta, o ACPL serve para comparar as fases de um mesmo jogador, e não para ordenar jogadores. Três centipeões entre Samunenkov e Korobov não significam nada. O contraste entre as fases de um mesmo nome, sim: Anton Korobov perde 26 centipeões por lance no meio-jogo e 11 no final; Monica Calzetta Ruiz faz o mesmo desenho de forma ainda mais marcada, com 46 no meio-jogo e 13 no final.

O número mais alto da tabela é o dos finais de Sabrina Vega Gutierrez: 61 centipeões por lance, em 202 lances de final medidos, contra 34 no meio-jogo. A amostra de lances aqui é grande o bastante para descrever uma tendência, o que não acontece com os 40 centipeões de Ihor Samunenkov na mesma coluna: as 12 partidas dele só somaram 37 lances de final, e não se descreve ninguém com isso.

A contagem de blunders não entra aqui. Quando um jogador já ganho escolhe um mate mais demorado, a régua do blunder registra uma perda enorme por um lance que não muda o resultado. O ACPL limita cada avaliação a mil centipeões e não sofre desse efeito.

ACPL por fase nas 12 partidas clássicas mais recentes (Stockfish 19, profundidade 16). O final de Samunenkov sai de apenas 37 lances medidos.
AtletaAberturaMeio-jogoFinalGeral
Vasyl Ivanchuk4181213
Anton Korobov6261119
Ihor Samunenkov5194017
Roman Dehtiarov5221817
Marta Garcia Martin7272423
Sabrina Vega Gutierrez9346139
Ann Matnadze12352127
Monica Calzetta Ruiz8461329

O que a rodada 4 mostrou

Os americanos entraram nas linhas fracas dos adversários na rodada 4?

Em três dos quatro tabuleiros em que a escolha era deles, sim. Wesley So foi para a Italiana com 3...Bc5, em que Korobov cai de 70% para 50%, e venceu. Carissa Yip jogou a Índia do Rei, em que Marta Garcia Martin tem 33% em 3 partidas, e venceu. Tatev Abrahamyan levou Monica Calzetta para a Siciliana de fianchetto e venceu. Fabiano Caruana jogou a linha em que Ivanchuk tem 33% — em três partidas.

Os dois confrontos terminaram 3,5 a 0,5, e as aberturas não foram acidente. Wesley So respondeu à Italiana de Korobov com 3...Bc5 e venceu no tabuleiro 2: na amostra, Korobov fez 70% nas 10 partidas que chegaram a 3.Bc4 e 50% nas 4 que seguiram com 3...Bc5. Carissa Yip enfrentou 1.Cf3 com a formação da Índia do Rei e venceu no tabuleiro 1, a estrutura em que Marta Garcia Martin fez 33% — em três partidas, que é o jeito honesto de escrever isso.

A vitória de Tatev Abrahamyan é a mais interessante das quatro, porque não seguiu a linha e sim a estrutura. Calzetta respondeu 1.e4 com 1...c5 2.Cf3 Cc6, posição em que o dossiê lhe dá 69% em 8 partidas. Abrahamyan jogou 3.Bb5 e deixou o fianchetto acontecer — chegando ao tipo de posição em que Calzetta fez 22% em 9 partidas, por uma ordem de lances que o dossiê arquiva em outro lugar. A árvore de repertório se organiza por lances; o problema de um jogador se organiza por posições, e os dois nem sempre coincidem.

O 3.Bc4 de Caruana contra Ivanchuk é o caso a tratar com cuidado. Ivanchuk fez 33% nessa linha — três partidas, uma derrota e dois empates, uma amostra que não sobreviveria a mais um resultado em qualquer direção. Caruana venceu, e isso é um dado, não uma confirmação. A mesma cautela vale ao contrário para o 1.c4 de Hans Niemann contra Samunenkov: o dossiê dizia que Samunenkov fizera 83% nas suas três partidas contra 1.c4 e 46% em treze da Petroff, e a partida terminou empatada em 21 lances.

O tabuleiro em que o dossiê tinha menos a oferecer foi o de Levon Aronian. Roman Dehtiarov abriu 1.e4 e respondeu a 1...c5 com a Rossolimo — cinco sicilianas na amostra dele de brancas, todas com 90% de aproveitamento, e nenhuma com 2...Cc6. Aronian venceu assim mesmo. Um dossiê que não cobre uma posição não é um dossiê que diz que a posição é ruim; ele diz que ninguém a testou, que é uma frase diferente e bem mais curta.

Perguntas frequentes

De onde vêm os dados do dossiê dos adversários dos EUA?

Das partidas clássicas presenciais transmitidas pelo Lichess nos últimos três anos, ligadas a cada atleta pelo FIDE ID. Sobre elas rodam o repertório por cor, as linhas em que o adversário pontua abaixo da própria média e, nas 12 partidas mais recentes, o perfil de erros medido com Stockfish 19 em profundidade 16.

Os percentuais do dossiê são dos EUA ou do adversário?

Do adversário. Quando o texto diz que Ihor Samunenkov fez 46% em 13 partidas da Petroff, são os pontos dele nessas partidas. Percentual baixo é bom para quem o enfrenta.

Quanto vale uma linha fraca de três partidas?

Muito pouco, e é por isso que o número de partidas vem sempre ao lado do percentual. Os 33% de Ivanchuk depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bc4 se apoiam em três partidas; os 46% de Samunenkov na Petroff, em treze. O dossiê marca a primeira como de baixa confiança e a segunda como de alta.

Por que o dossiê não inclui partidas de blitz e rápidas online?

Porque só entram contas online com comprovação de que pertencem ao atleta — conta titulada da plataforma, perfil que aponta para o cadastro FIDE ou citação oficial da federação. Nenhum dos oito adversários escalados nesta rodada tinha conta comprovada a tempo. Quando entrar, o repertório online vai numa seção própria, identificada como blitz e rápidas.

Histórico de atualizações

  • 2026-09-19 — Publicação inicial, com a rodada 4 encerrada: repertório das partidas clássicas transmitidas pelo Lichess, perfil de erros com Stockfish 19 em profundidade 16 e placares finais conferidos no PGN oficial.
  • 2026-09-29 — A Olimpíada terminou em 27 de setembro: o Uzbequistão ganhou o aberto e a China o feminino. Esta cobertura deixou de ser atualizada; o resultado final está na notícia de classificação.

Fontes

Guias relacionados

O adversário do seu próximo torneio também tem uma linha em que pontua menos

O dossiê do Personal Chess Coach lê as partidas públicas de quem você vai enfrentar e mostra o repertório por cor, as linhas em que ele pontua abaixo da própria média e o número de partidas por trás de cada número.

Criar conta gratuita