Olimpíada de Xadrez de Samarcanda 2026: favoritos, formato e as seleções do Brasil
Quatrocentas equipes, onze rodadas e uma lista de cabeças de chave que diz menos do que parece: entre o primeiro e o quarto favorito do absoluto há 16 pontos de média. O Brasil começa em 31º no absoluto e em 44º no feminino.
8 min de leitura · Publicado em 2026-09-13
Resposta direta
A 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE abre em 15 de setembro de 2026 em Samarcanda, no Uzbequistão, com 208 equipes no absoluto e 192 no feminino: 400 no total, vinte a mais que o recorde de Budapeste 2024, segundo a FIDE. São 11 rodadas no sistema suíço até 27 de setembro. Esta prévia reúne o formato e a pontuação do regulamento, os cabeças de chave dos dois torneios, a escalação provisória das seleções brasileiras e a posição das equipes da América Latina na lista de partida, e explica por que a média de rating ordena bem as equipes e prevê mal o campeão.
Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE
Como isto foi apurado: Apurado em 13 de setembro de 2026, dois dias antes da cerimônia de abertura; nenhuma partida tinha sido jogada. Datas, formato, pontuação e ritmo vêm do regulamento da FIDE para a competição principal. O número de equipes e as médias de cinco jogadores vêm do comunicado de escalações da FIDE. Cabeças de chave, médias dos quatro primeiros e ordem dos tabuleiros vêm das listas de partida do chess-results atualizadas em 13 de setembro às 14h49 (horário do servidor), que avisam que a ordem é provisória, por rating, até os capitães entregarem a definitiva. Nessa atualização o chess-results mostrava 150 equipes carregadas em cada seção, contra 208 e 192 anunciadas pela FIDE, e as posições de cabeça de chave podem mudar quando o restante subir.
O essencial em poucas linhas
- A 46ª Olimpíada de Xadrez tem cerimônia de abertura em 15 de setembro de 2026 e 11 rodadas entre 16 e 27 de setembro, em Samarcanda, no Uzbequistão, com 208 equipes no absoluto e 192 no feminino: 400 no total, contra o recorde anterior de 380 em Budapeste 2024, segundo a FIDE.
- Cada equipe tem quatro jogadores e um reserva. Vencer o confronto vale 2 pontos de match, empatar vale 1 e perder vale 0, de modo que um 4 a 0 vale o mesmo que um 2,5 a 1,5; os pontos de partida só entram no desempate. O ritmo é de 90 minutos para 40 lances, mais 30 minutos, com 30 segundos por lance desde o primeiro.
- No absoluto, os cinco primeiros cabeças de chave são Estados Unidos, Índia, Uzbequistão, China e Alemanha. No feminino, a Índia lidera. A Índia chega como campeã dos dois torneios em Budapeste 2024.
- O Brasil é o 31º cabeça de chave no absoluto, com média de 2524 e os GMs Luis Paulo Supi, Alexandr Fier e André Diamant nos três primeiros tabuleiros, e o 44º no feminino, com média de 2137 e Juliana Terao no primeiro tabuleiro, na ordem provisória por rating do chess-results.
- Na conta da FIDE, que usa cinco jogadores por equipe, os quatro primeiros cabeças de chave do absoluto estão separados por 16 pontos de média: Estados Unidos com 2738 e China com 2722.
Datas, formato e o recorde de equipes
Quando começa a Olimpíada de Xadrez de 2026 e como ela funciona?
A cerimônia de abertura é em 15 de setembro de 2026, e as 11 rodadas vão de 16 a 27 de setembro, em Samarcanda, no Uzbequistão. Os dois torneios, absoluto e feminino, são disputados em sistema suíço por equipes, com quatro jogadores e um reserva por equipe e ritmo clássico de 90 minutos para 40 lances, mais 30 minutos para o resto da partida, com 30 segundos por lance desde o primeiro.
Segundo a FIDE, 400 equipes confirmaram presença: 208 no absoluto e 192 no feminino, vinte a mais que as 380 de Budapeste, em 2024, até então o recorde. É a maior Olimpíada em número de equipes. Número de equipes, porém, não mede força: ele diz quantos países mandaram uma seleção, não quantos têm chance de medalha.
O regulamento conta confrontos, não partidas. Vencer o confronto dá 2 pontos de match, empatar 2 a 2 dá 1, e perder dá 0. Na tabela, um 4 a 0 vale exatamente o mesmo que um 2,5 a 1,5. A goleada só volta a importar no desempate: o primeiro critério multiplica os pontos de partida feitos contra cada adversário pelos pontos de match que esse adversário terminou somando, e o segundo é a soma simples dos pontos de partida.
Duas regras mudam o jeito de jogar a rodada. Os jogadores não podem combinar empate antes do 30º lance das pretas; antes disso, só repetição tripla ou afogamento encerram a partida empatada. E a equipe listada primeiro no emparceiramento joga de brancas nos tabuleiros ímpares e de pretas nos pares, o que força o capitão a pensar a ordem dos tabuleiros também pela cor.
Os favoritos do absoluto
Quem são os favoritos da Olimpíada de Xadrez de 2026 no absoluto?
Pela lista de partida, Estados Unidos, Índia, Uzbequistão, China e Alemanha, nessa ordem. Os Estados Unidos vêm com Fabiano Caruana (2792), Wesley So (2765), Hans Niemann (2725), Levon Aronian (2721) e Awonder Liang (2690). A Índia, campeã em 2024, vem com Arjun Erigaisi (2759), Praggnanandhaa (2750), Nihal Sarin (2718), Gukesh (2703) e Vidit Gujrathi (2697).
A média de rating é o jeito mais justo de ordenar 208 equipes e um jeito fraco de prever quem ganha. Na conta da FIDE, entre o primeiro e o quarto cabeça de chave há 16 pontos de média, menos que os 27 que separam Caruana de So dentro da própria equipe americana. Numa diferença desse tamanho, onze rodadas decidem mais que a planilha.
O Uzbequistão, dono da casa, tem no primeiro tabuleiro Javokhir Sindarov (2777), com rating acima de qualquer primeiro tabuleiro indiano ou chinês, e Nodirbek Abdusattorov (2762) logo atrás. A China vem com Wei Yi (2752) e Ding Liren (2733) nos dois primeiros tabuleiros, e a Alemanha, quinta, com Vincent Keymer no primeiro.
As duas médias da tabela não coincidem, e isso não é erro de uma das fontes. O comunicado da FIDE faz a média dos cinco jogadores de cada equipe; o chess-results faz a dos quatro primeiros, com ratings que nem sempre são os mesmos que a FIDE usou. A ordem dos cinco primeiros é a mesma nas duas contas. Gukesh aparece no quarto tabuleiro da Índia porque, até os capitães entregarem a ordem definitiva, a lista segue o rating.
| Cabeça de chave | Equipe | Média FIDE (5 jogadores) | Média chess-results (4 primeiros) | Primeiro tabuleiro |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Estados Unidos | 2738 | 2753 | Fabiano Caruana (2792) |
| 2 | Índia | 2725 | 2735 | Arjun Erigaisi (2759) |
| 3 | Uzbequistão | 2723 | 2720 | Javokhir Sindarov (2777) |
| 4 | China | 2722 | 2707 | Wei Yi (2752) |
| 5 | Alemanha | 2709 | 2677 | Vincent Keymer |
As favoritas do feminino
Quem são as favoritas da Olimpíada de Xadrez de 2026 no feminino?
A Índia é a primeira cabeça de chave nas duas listas, com média de 2476 na conta da FIDE e 2466 na do chess-results. A Geórgia é a segunda nas duas. China e Cazaquistão trocam de lugar conforme a fonte: a FIDE põe a China em terceiro, e o chess-results, o Cazaquistão. Os Estados Unidos fecham os cinco primeiros.
No feminino, a distância entre as cinco primeiras é maior que no absoluto: 63 pontos de média entre a Índia e os Estados Unidos na conta da FIDE, contra 13 entre os mesmos dois países no absoluto. É a seção em que o favoritismo pela lista pesa mais, e mesmo assim a diferença entre segunda e quinta colocadas cabe em 36 pontos.
A troca de posição entre China e Cazaquistão é um bom exemplo de por que a lista de partida deve ser lida com a fonte ao lado. Na FIDE, a China tem 2432 de média e o Cazaquistão 2421; no chess-results, com os quatro primeiros e a lista de rating que o sistema usa, o Cazaquistão soma 2438 e a China 2429. Nenhuma das duas contas está errada, e nenhuma decide quem sobe ao pódio.
| Equipe | Média FIDE (5 jogadoras) | Posição no chess-results | Média chess-results (4 primeiras) |
|---|---|---|---|
| Índia | 2476 | 1 | 2466 |
| Geórgia | 2449 | 2 | 2451 |
| China | 2432 | 4 | 2429 |
| Cazaquistão | 2421 | 3 | 2438 |
| Estados Unidos | 2413 | 5 | 2415 |
As duas seleções do Brasil
Quem joga pelo Brasil na Olimpíada de Xadrez de 2026?
No absoluto, GM Luis Paulo Supi (2582), GM Alexandr Fier (2537), GM André Diamant (2504), IM Diego Di Berardino (2471) e IM Roberto Molina (2390), com Rafael Leitão como capitão: 31º cabeça de chave, média de 2524. No feminino, FM Juliana Terao (2200), FM Julia Alboredo (2197), WIM Kathie Librelato (2130), Clara Dias (2022) e WFM Agatha Hurba Nunes (1931), com Claudionor Pirola como capitão: 44ª cabeça de chave, média de 2137.
A ordem acima é a do chess-results, que por enquanto lista cada equipe em ordem decrescente de rating; a ordem definitiva dos tabuleiros é entregue pelos capitães, e é ela que vale nas rodadas. A convocação da CBX, publicada em julho, trouxe os mesmos dez nomes sem ordem de tabuleiro, com Marlon Rahn como chefe da delegação e Rafael Leitão como técnico das duas equipes.
As duas equipes têm formatos diferentes. No absoluto, os três primeiros tabuleiros são de grandes mestres, e a diferença entre o primeiro e o quinto nome é de 192 pontos. No feminino, as duas primeiras jogadoras estão separadas por 3 pontos, e a distância até a quinta é de 269. Na prática, é no feminino que a escolha de quem descansa em cada rodada muda mais a média da equipe em campo.
A América Latina na lista de partida
Como chegam as equipes da América Latina à Olimpíada de Xadrez de 2026?
A Argentina é a latino-americana mais bem colocada no absoluto, 24ª cabeça de chave com média de 2559, à frente do Brasil (31º) e de Cuba (44ª). No feminino, Cuba e Argentina têm a mesma média, 2229, e aparecem em 27º e 28º, antes de Peru (39º) e Brasil (44º).
A Argentina leva a Samarcanda Faustino Oro, que a FIDE destaca como o segundo grande mestre mais jovem da história. No absoluto, o bloco latino-americano vai do 24º ao 87º lugar da lista de partida, e no feminino, do 27º ao 94º.
As posições da tabela abaixo são as da atualização do chess-results de 13 de setembro, que ainda não tinha todas as equipes anunciadas pela FIDE carregadas. Os números absolutos podem mudar; a ordem relativa entre as equipes latino-americanas, que depende só das médias de cada uma, tende a se manter.
| País | Absoluto: posição | Absoluto: média | Feminino: posição | Feminino: média |
|---|---|---|---|---|
| Argentina | 24 | 2559 | 28 | 2229 |
| Brasil | 31 | 2524 | 44 | 2137 |
| Cuba | 44 | 2467 | 27 | 2229 |
| Peru | 53 | 2435 | 39 | 2184 |
| Chile | 54 | 2425 | 70 | 1994 |
| Colômbia | 58 | 2415 | 50 | 2104 |
| Uruguai | 63 | 2390 | 94 | 1859 |
| Bolívia | 68 | 2359 | 73 | 1985 |
| Paraguai | 70 | 2350 | 76 | 1979 |
| México | 75 | 2328 | 54 | 2057 |
| Venezuela | 78 | 2322 | 64 | 2021 |
| Equador | 87 | 2269 | 59 | 2042 |
Perguntas frequentes
Quando é a Olimpíada de Xadrez de 2026?
A cerimônia de abertura é em 15 de setembro de 2026, e as 11 rodadas são disputadas de 16 a 27 de setembro, em Samarcanda, no Uzbequistão.
Quantas equipes jogam a Olimpíada de Samarcanda?
Segundo a FIDE, 400: 208 no absoluto e 192 no feminino. É o maior número de equipes da história da competição, acima das 380 de Budapeste 2024.
Em que posição o Brasil começa a Olimpíada de 2026?
Como 31º cabeça de chave no absoluto, com média de 2524, e como 44º no feminino, com média de 2137, na lista de partida do chess-results atualizada em 13 de setembro de 2026.
Como se ganha um confronto na Olimpíada de Xadrez?
Somando mais pontos que o adversário nas quatro partidas. A vitória no confronto vale 2 pontos de match e o empate por 2 a 2 vale 1, independentemente do placar: um 4 a 0 e um 2,5 a 1,5 valem o mesmo. Os pontos de partida entram no desempate.
Histórico de atualizações
- 2026-09-13 — Publicação inicial, dois dias antes da abertura, com formato e pontuação conferidos no regulamento da FIDE e cabeças de chave lidos na lista de partida do chess-results.
Fontes
- FIDE Chess Olympiad 2026 — Regulations for the Main Competition — FIDE
- Team line-ups confirmed for 46th FIDE Chess Olympiad — FIDE
- 46th Chess Olympiad Samarkand 2026 Open — lista de partida e composição das equipes — Chess-Results
- 46th Chess Olympiad Samarkand 2026 Women — lista de partida e composição das equipes — Chess-Results
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