América Latina na Olimpíada de Xadrez 2026: Faustino Oro no primeiro tabuleiro, a medalha de Cuba e o que separou o Brasil do Peru
Nenhuma equipe latino-americana passou do 22º lugar, e isso diz pouco. Ler a região pela posição final é ler a pré-classificação com ruído. O que a tabela esconde é quem subiu mais do que o rating previa: o Peru ganhou vinte posições no aberto sem empatar um confronto. Faustino Oro jogou as onze rodadas no primeiro tabuleiro da Argentina, sendo o jogador de menor rating da equipe. E o Brasil terminou com os mesmos 14 pontos do Peru, onze lugares atrás.
10 min de leitura · Publicado em 2026-09-29
Resposta direta
A Argentina foi a melhor equipe latino-americana nos dois torneios da Olimpíada de Samarcanda: 23ª no aberto e 22ª no feminino. A única medalha individual da região foi a prata de Ineymig Hernández Gil, de Cuba, no quarto tabuleiro do feminino. Comparada com a pré-classificação, a tabela conta outra história. O Peru subiu do 53º para o 33º lugar no aberto, e a Colômbia do 50º para o 37º no feminino. O Brasil caiu do 31º para o 44º no aberto. Faustino Oro, com 2537, o menor rating da equipe argentina, jogou todas as rodadas no primeiro tabuleiro e fez 7 em 11, com seis partidas contra jogadores acima de 2570. Esta página traz os números de cada seleção e as contas por trás deles.
Evento: 46ª Olimpíada de Xadrez da FIDE
Como isto foi apurado: Apurado em 29 de setembro de 2026, com a Olimpíada encerrada em 27 de setembro. Posições, pré-classificação, pontos e desempates vêm do chess-results. As partidas e o tabuleiro de cada jogador foram conferidos no PGN oficial transmitido pelo Lichess. As performances oficiais vêm da lista de prêmios por tabuleiro; as marcadas como calculadas foram obtidas por nós com a tabela de diferenças da FIDE, a partir dos ratings do PGN.
O essencial em poucas linhas
- A Argentina foi a melhor equipe da América Latina nos dois torneios, com 15 pontos de match: 23ª no aberto e 22ª no feminino.
- Faustino Oro jogou as 11 rodadas no primeiro tabuleiro argentino e fez 7 pontos. Contra os seis adversários com 2575 ou mais, fez 3; a única derrota foi para Yagiz Kaan Erdogmus, prata do primeiro tabuleiro.
- O Peru foi a equipe da região que mais superou a pré-classificação no aberto, do 53º ao 33º lugar, com 7 vitórias, nenhum empate e 4 derrotas.
- O Brasil fez os mesmos 14 pontos de match do Peru e ficou onze lugares atrás: venceu quatro dos cinco confrontos por 2,5 a 1,5 e terminou com 24 pontos de partida, contra 29 dos peruanos.
- A única medalha individual latino-americana foi a prata de Ineymig Hernández Gil, de Cuba: 8 em 9 sem perder no quarto tabuleiro, com performance de 2443 e 2157 de rating.
A região contra a própria pré-classificação
Como foram as seleções da América Latina na Olimpíada de Xadrez de 2026?
A Argentina foi a melhor nos dois torneios, 23ª no aberto e 22ª no feminino. Comparando com a pré-classificação, quem mais subiu foi o Peru no aberto (do 53º ao 33º) e a Colômbia no feminino (do 50º ao 37º). O Brasil foi o que mais caiu no aberto, do 31º ao 44º.
A posição final de uma equipe latino-americana numa Olimpíada é, em primeiro lugar, uma consequência do rating. A pré-classificação ordena as equipes pela média de rating dos inscritos, e nenhuma seleção da região entrou entre as vinte primeiras. Dizer que a Argentina ficou em 23º é dizer pouco; dizer que ela entrou em 24º e saiu em 23º diz que o rating se confirmou.
Por isso a tabela abaixo põe as duas colunas lado a lado. Ela mostra dois grupos. Peru, Chile e Equador subiram no aberto, cada um mais de dez posições. Brasil, Cuba e México ficaram abaixo do que a média de rating previa. No feminino, Chile e Colômbia foram as que mais subiram, 16 e 13 posições. Um aviso de método vale para tudo o que vem a seguir: onze rodadas de um suíço com quase duzentas equipes produzem posições muito próximas, e uma vitória a mais ou a menos na última rodada move uma equipe dez lugares. A tabela mostra direção, não mede talento.
| Equipe | Aberto | Feminino |
|---|---|---|
| Argentina | 24º → 23º (15) | 28º → 22º (15) |
| Peru | 53º → 33º (14) | 39º → 41º (13) |
| Chile | 54º → 41º (14) | 70º → 54º (13) |
| Brasil | 31º → 44º (14) | 44º → 46º (13) |
| Colômbia | 58º → 52º (13) | 50º → 37º (14) |
| Cuba | 44º → 53º (13) | 27º → 31º (14) |
| Equador | 87º → 63º (13) | 59º → 52º (13) |
| México | 75º → 76º (12) | 54º → 67º (12) |
Faustino Oro no primeiro tabuleiro
Como foi Faustino Oro na Olimpíada de Xadrez de 2026?
Jogou as onze rodadas no primeiro tabuleiro da Argentina e fez 7 pontos: 4 vitórias, 6 empates e 1 derrota. Pela nossa conta, a performance foi de 2598, 61 pontos acima do seu rating de 2537. Empatou com Mamedyarov, Martirosyan e Jorge Cori, e só perdeu para Yagiz Kaan Erdogmus, na rodada 10.
O dado que mais chama a atenção é a escalação. Com 2537, Oro era o jogador de menor rating entre os cinco argentinos, abaixo de Diego Flores (2590), Fernando Peralta (2553), Sandro Mareco (2551) e Federico Pérez Ponsa (2541). Ainda assim jogou as onze partidas no primeiro tabuleiro, onde ficam os adversários mais fortes de cada confronto. Conferimos o tabuleiro de cada partida no PGN oficial.
O resultado se sustenta onde o tabuleiro pesa. Contra os seis adversários com 2575 ou mais, Oro fez 3 pontos: empates com Martirosyan, Cori, Mamedyarov e Tin Jingyao, vitória sobre Tomi Nyback na última rodada e a derrota para Erdogmus, que terminou com a prata do primeiro tabuleiro e performance de 2839. Ficou invicto nas nove primeiras rodadas. O contra também está na tabela: três das quatro vitórias vieram contra os três adversários de menor rating, e a média dos oponentes, 2496, ficou abaixo do rating dele.
| Rodada | Adversário | Rating | Resultado |
|---|---|---|---|
| 1 | Kyle Kuka (Quênia) | 2012 | 1 |
| 2 | Lee Junhyeok (Coreia do Sul) | 2401 | ½ |
| 3 | Omar Eltigani (Sudão) | 2259 | 1 |
| 4 | Haik M. Martirosyan (Armênia) | 2664 | ½ |
| 5 | Jorge Cori (Peru) | 2575 | ½ |
| 6 | Shakhriyar Mamedyarov (Azerbaijão) | 2720 | ½ |
| 7 | Paulo Bersamina (Filipinas) | 2398 | 1 |
| 8 | Tin Jingyao (Singapura) | 2584 | ½ |
| 9 | Jorge Viterbo Ferreira (Portugal) | 2529 | ½ |
| 10 | Yagiz Kaan Erdogmus (Turquia) | 2716 | 0 |
| 11 | Tomi Nyback (Finlândia) | 2593 | 1 |
Peru: vinte posições acima da pré-classificação, sem nenhum empate
Como o Peru terminou em 33º no aberto da Olimpíada de 2026?
Vencendo com folga os confrontos que devia vencer. O Peru fez 7 vitórias, nenhum empate e 4 derrotas, todas contra equipes que terminaram acima dele: Uzbequistão, Argentina, Espanha e Inglaterra. Quatro vitórias foram por 4 a 0, e os 29 pontos de partida ajudaram no desempate.
Jorge Cori jogou as onze rodadas no primeiro tabuleiro e fez 7,5 pontos, com performance calculada de 2565, perto do seu 2575. Perdeu para Abdusattorov, que terminaria com o ouro do primeiro tabuleiro, e para Nikita Vitiugov. O resultado mais acima do rating foi o de Germán Quirhuayo, com 2381: 5,5 em 7, performance calculada de 2584, e uma vitória sobre Sandro Mareco no confronto contra a Argentina. A Argentina ganhou esse confronto por 2,5 a 1,5.
No feminino, Deysi Cori fez 7,5 em 10 no primeiro tabuleiro, com performance de 2447. É a décima da lista oficial desse tabuleiro e está 131 pontos acima do próprio rating. Ela só perdeu na última rodada, para Alexandra Kosteniuk. Fiorella Contreras fez 8 em 11. Mesmo assim, a equipe feminina terminou em 41º, duas posições abaixo da pré-classificação, e é o lembrete de que duas jogadoras em boa forma não fazem uma campanha de quatro tabuleiros.
Brasil: 14 pontos de match, onze lugares atrás do Peru
Onde o Brasil terminou na Olimpíada de Xadrez de 2026?
Em 44º no aberto, com 14 pontos de match, e em 46º no feminino, com 13. No aberto, a equipe entrou como 31ª da pré-classificação. Venceu cinco confrontos, empatou quatro e perdeu dois, para Quirguistão e Croácia.
A explicação que aparece primeiro é o desempate: o Brasil terminou com os mesmos 14 pontos do Peru e ficou onze posições atrás. É verdade, mas a causa vem antes. Quatro das cinco vitórias brasileiras foram por 2,5 a 1,5, e a equipe somou 24 pontos de partida em 44 possíveis. O Peru, com os mesmos 14 pontos de match, fez 29. O Sonneborn-Berger multiplica pontos de partida pela força final do adversário, e vitórias apertadas contra equipes do meio da tabela rendem pouco: o Brasil terminou com 266,5, o Peru com 306,5.
O começo também pesou. Na primeira rodada, o Brasil empatou por 2 a 2 com Botsuana, que terminaria com 10 pontos de match. No suíço, um empate cedo empurra a equipe para um grupo de pontuação mais baixo, e o Brasil não enfrentou nenhuma equipe que tenha terminado com mais de 15 pontos. Luis Paulo Supi, no primeiro tabuleiro, fez 7 em 10, com uma derrota, para Ivan Saric, e performance calculada de 2553. Alexandr Fier, quase sempre no segundo tabuleiro, fez 3,5 em 10. No feminino, as melhores campanhas foram de Juliana Terao, 7,5 em 10, e Kathie Librelato, 7 em 11.
| Brasil | Peru | |
|---|---|---|
| Pré-classificação → final | 31º → 44º | 53º → 33º |
| Vitórias, empates, derrotas | 5, 4, 2 | 7, 0, 4 |
| Vitórias por 2,5 a 1,5 | 4 de 5 | 1 de 7 |
| Pontos de partida | 24 | 29 |
| Sonneborn-Berger (TB2) | 266,5 | 306,5 |
Cuba e a única medalha da região
Algum latino-americano ganhou medalha individual na Olimpíada de 2026?
Sim, uma: Ineymig Hernández Gil, de Cuba, prata no quarto tabuleiro do feminino. Fez 8 pontos em 9 partidas sem perder, com performance de 2443. Chegou com 2157 de rating. No aberto, nenhum jogador da região ficou entre os três primeiros do seu tabuleiro.
Os 286 pontos entre o rating e a performance de Hernández Gil foram a maior diferença entre os trinta medalhistas individuais dos dois torneios. Ela empatou duas partidas, com Rose Atwell, dos EUA, e Aleksandra Milovic, de Montenegro, e venceu as outras sete, fechando o torneio com vitória sobre a polonesa Monika Socko, de 2350. A equipe cubana terminou em 31º, quatro posições abaixo da pré-classificação, o que mostra de novo que a medalha individual e a posição da equipe medem coisas diferentes.
Dois outros resultados da região entraram nas listas oficiais de performance por tabuleiro. María José Campos, da Argentina, fez 7,5 em 10 no segundo tabuleiro do feminino, com performance de 2353, e foi a 14ª da lista. Federico Pérez Ponsa, reserva argentino, fez 5,5 em 8 sem perder, com 2522, e foi o 11º entre os reservas do aberto. A lista completa dos medalhistas e a explicação de como a performance é calculada estão na nossa cobertura das medalhas individuais.
Perguntas frequentes
Qual foi a melhor equipe da América Latina na Olimpíada de Xadrez de 2026?
A Argentina, nos dois torneios: 23ª no aberto e 22ª no feminino, com 15 pontos de match em cada um.
Quantos pontos Faustino Oro fez na Olimpíada de 2026?
7 em 11, no primeiro tabuleiro da Argentina, com 4 vitórias, 6 empates e 1 derrota, para Yagiz Kaan Erdogmus. A performance, pela nossa conta com a tabela da FIDE, foi de 2598.
Em que lugar o Brasil ficou na Olimpíada de Xadrez de 2026?
44º no aberto, com 14 pontos de match, e 46º no feminino, com 13. No aberto, o Brasil tinha a 31ª média de rating.
Por que o Peru ficou à frente do Brasil com os mesmos pontos?
Pelo primeiro desempate, o Sonneborn-Berger por equipes: 306,5 contra 266,5. O Peru fez 29 pontos de partida, contra 24 do Brasil, e o desempate pesa os pontos de partida feitos contra cada adversário.
Histórico de atualizações
- 2026-09-29 — Publicação inicial: posições contra a pré-classificação, as partidas de Faustino Oro e a comparação entre Brasil e Peru.
Fontes
- 46th Chess Olympiad 2026 Open — classificação final e desempates — chess-results
- 46th Chess Olympiad 2026 Women — classificação final e desempates — chess-results
- 46th Chess Olympiad 2026 Women — prêmios por tabuleiro — chess-results
- Uzbekistan, China Win 2026 Samarkand Chess Olympiad — Chess.com
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